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Instabilidade política e crise financeira têm marcado Alandroal

Alandroal, um dos concelhos mais pobres e despovoados do Alentejo, tem sido marcado nos últimos anos por instabilidade política municipal e pela grave crise financeira da câmara, com uma dívida de 20 milhões de euros.

Nos últimos 15 anos, a Câmara de Alandroal, no distrito de Évora, teve três presidentes: além da atual autarca Mariana Chilra (CDU), os principais “rostos” da oposição João Nabais e João Grilo também já passaram pela presidência.

O PCP, através das coligações FEPU, APU e CDU, liderou os destinos do município entre 1976 e 2001, ano em que a então presidente da câmara, Margarida Godinho, que cumpria o primeiro mandato, não se recandidatou por divergências com o partido.

Nas autárquicas de 2001, após a desistência de Margarida Godinho, a CDU apostou em Mariana Chilra, mas foi o PS a ganhar a câmara, com João Nabais a conseguir a maioria absoluta.

Nabais cumpriu dois mandatos, mas, em 2009, desentendeu-se com o então vice-presidente do município, João Grilo, desvinculando-se ambos do PS e concorrendo separadamente por movimentos independentes.

Nas eleições autárquicas desse ano, Grilo conseguiu conquistar a câmara, mas, quatro anos depois, em 2013, a sua recandidatura foi inviabilizada pelo Tribunal Constitucional, devido a alegadas irregularidades no processo de recolha de assinaturas.

A comunista Mariana Chilra, que já tinha tentado a eleição em 2001, venceu com maioria absoluta, após a desistência de João Grilo por causa da decisão do tribunal, na sequência de uma queixa de João Nabais.

Esta “é uma situação artificial”, adverte o antigo presidente da câmara João Grilo, alegando que o seu movimento foi afastado das eleições por “pormenores burocráticos”, quando “as expectativas” apontavam para a sua continuidade no poder.

Para o antigo autarca, o seu afastamento “acabou por prejudicar muito o futuro do concelho”, porque foi interrompido “um ciclo de renovação e um conjunto de estratégias e de projetos que foi abandonado pela atual gestão” comunista.

“Se juntarmos ao que aconteceu nas últimas eleições outros aspetos do passado, talvez consigamos perceber porque é que o Alandroal acaba por ir perdendo todas as oportunidades que tem para se desenvolver”, observa.

Contudo, defende que “nem toda a estabilidade política é boa”, considerando que o Alandroal “teve quase 30 anos de estabilidade CDU e a única coisa que fez foi afastar o concelho dos seus vizinhos em termos de desenvolvimento”.

A atual presidente do município, Mariana Chilra, tem uma opinião diferente, uma vez que considera que a estagnação do concelho resulta de “duas gestões desequilibradas” de Nabais e Grilo, que “fizeram com que seja uma das câmaras mais endividadas do país”.

“Creio que estamos a inverter um ciclo dos 12 anos de gestões anteriores. Desde o início deste mandato, conseguimos inverter a tendência do aumento da dívida e estamos a reduzi-la em mais de um milhão de euros por ano”, destaca.

Mariana Chilra reconhece que existiu instabilidade política “sobretudo nos últimos mandatos”, que atribui a processos internos no PS, mas entende que a situação está ultrapassada e que a gestão CDU garante “estabilidade política”.

“Estamos num processo de recuperação e reequilíbrio e a aguardar o visto do Tribunal de Contas para um empréstimo do Fundo de Apoio Municipal (FAM) no valor de 16,5 milhões de euros”, indica, adiantando que a dívida ronda os 20 milhões de euros.

João Nabais, também antigo presidente da câmara, considera, por seu turno, que a mudança de gestão municipal nas duas mais recentes eleições “é o resultado da democracia a funcionar” e que, no caso do mandato de João Grilo, “houve um fracasso do projeto”.

“A população, sentindo-se desiludida, não lhe deu continuidade”, afirma o atual vereador da oposição, insistindo que “a alternância democrática, de forma alguma prejudica o desenvolvimento e o bem-estar de uma população”.

Nabais assinala, no entanto, que o resultado das autárquicas de 2009 “não teve a ver com alternância democrática”, mas sim “com o surgimento de um projeto unicamente pessoal”, referindo-se ao movimento independente criado por João Grilo.

Esse projeto teve como “único objetivo a vingança pessoal” e de o “abater politicamente”, refere o autarca, considerando que este “foi o aspeto mais negativo que aconteceu nos últimos anos no concelho de Alandroal”.

No atual mandato, Mariana Chilra dispõe de maioria absoluta e lidera um executivo composto por três eleitos pela CDU, um do movimento Defesa da Integridade Territorial e Desenvolvimento de Alandroal (DITA), de João Nabais, e outro do PS.

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