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IP3 prejudicou ambiente mas retirou Penacova do Interior

O Itinerário Principal 3 (IP3) entre Coimbra e Viseu, que entrou em funcionamento nas décadas de 80 e 90 do século XX, prejudicou a paisagem e o ambiente, mas mudou radicalmente a realidade de Penacova.

Próximo do litoral (a menos de 30 quilómetros de Coimbra), Penacova tinha, no entanto, características de território do interior, ficava longe de quase tudo e de quase todos, por falta de acessos.

O IP3, sobretudo o lanço entre o IC2, em Coimbra, e Porto da Raiva (Penacova), que entrou em funcionamento em 1991, foi “um dos fatores mais marcantes” da história das últimas décadas de Penacova, tal a melhoria que representou para as suas acessibilidades, sustenta o presidente da Câmara, Humberto Oliveira.

Até então, a “sinuosa, mas muito bonita”, Estrada Nacional 110 (EN 110), que acompanha, pela margem direita, o rio Mondego, entre Coimbra e Penacova, era a principal via de acesso ao concelho, sublinha o autarca.

“São vinte e poucos quilómetros com duzentas e oitenta e tal curvas”, recorda o presidente da Câmara de Penacova entre 1985 e 1997, Manuel Flórido, que percorria este trajeto diariamente, não raras vezes atrás de lentos e inultrapassáveis camiões.

O IP3 aproximou Penacova do resto do país, mas também lhe trouxe problemas, sobretudo para o ambiente e a paisagem, designadamente na Livraria do Mondego e na acentuada encosta fronteira à vila, refere Manuel Flórido, que, na altura, tentou convencer os decisores a construírem a via mais a norte.

Com a estrada, a Livraria do Mondego (escarpas xistosas do vale do rio que sugerem livros em prateleiras) perdeu o enquadramento paisagístico e ambiental e perdeu impacto enquanto cenário de atração turística.

Mas, os acessos a Penacova e àquela região eram tão maus (e a EN 110 estava tão sobrecarregada de tráfego) que o traçado do IP3 na região foi desenhado, em boa medida, em função dessa circunstância, explica Maurício Marques, que então era vice-presidente da Câmara e seria, depois, presidente (1997-2005).

“Em plena construção” da estrada “verificou-se que o traçado não era adequado” e junto à Livraria do Mondego, por exemplo, as fundações de uma ponte, sobre o rio, exigiram “toneladas e toneladas de betão” por causa de uma falha geológica, como mais tarde se veio a concluir, recorda o antigo autarca.

“Mas o balanço é positivo”, entre as desvantagens e os benefícios da obra, estes sobrepõem-se, “sem dúvida”, acrescenta.

“Hoje ninguém faria este IP sem quatro faixas de rodagem”, reconhece Maurício Marques. Nem o quereria a passar à porta da vila, exemplifica Manuel Flórido.

Na altura em que foi construído, o IP3 resolveu, “sem dúvida”, a maior dificuldade de Penacova, mas “hoje está claramente desajustado da realidade”, afirma o atual presidente do município, Humberto Oliveira.

A ligação por autoestrada entre Coimbra e Viseu é “imperiosa”, mas “não dispensa”, simultaneamente, “a introdução de melhorias no IP3”, designadamente na zona de Penacova, adverte Humberto Oliveira, sublinhando que a estrada continua a ser fundamental para toda a região.

A Assembleia Municipal de Penacova, por isso mesmo, aprovou, por unanimidade, no final de fevereiro, uma proposta exigindo a “reparação e beneficiação”, com “caráter de urgência”, do IP3 entre Coimbra e Penacova, via que é utilizada por “cerca de 18 mil veículos por dia”, com grande percentagem de pesados de mercadorias e com “um nível de sinistralidade elevado”.

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