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Jaime Soares, mais de metade da vida na Câmara de Poiares

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Soares, de 72 anos, passou mais de metade da vida em funções autárquicas, na Câmara de Vila Nova de Poiares, e ficou conhecido como um dos “dinossauros” do Poder Local.

Envolvido desde a juventude na oposição à ditadura de Salazar e Caetano, Jaime Carlos Marta Soares começou por ser um hábil negociante de ferro-velho, na esteira de uma tradição familiar, além de ter jogado como guarda-redes em vários clubes de futebol.

Após a revolução do 25 de Abril, ainda afeto ao MDP/CDE, foi um dos cidadãos que a população de Poiares, no distrito de Coimbra, escolheu para integrar a Comissão Administrativa da Câmara Municipal, para cuja presidência seria depois eleito dez vezes consecutivas, entre 1976 e 2009.

“A vida de um autarca é um sacerdócio ao serviço das populações, em que não nos podemos distrair da gestão política e administrativa”, declara o social-democrata Jaime Soares à agência Lusa.

O também presidente da Assembleia Geral do Sporting, clube de que é sócio há mais de 50 anos, recorda com “alguma emoção” os quase 40 anos de “dedicação total e absoluta” ao município onde nasceu.

Por imposição legal, que limita a três o número de mandatos dos presidentes das câmaras, abandonou o executivo de Vila Nova de Poiares em 2013, tendo o PS vencido pela primeira vez as autárquicas no concelho, elegendo o professor de Educação Física João Miguel Henriques.

O atual presidente da Câmara, ex-árbitro de futebol, nascido em 1971, tinha apenas 2 anos quando Jaime Soares, então guarda-redes do Lousanense, se estreou no poder local graças à Revolução dos Cravos.

Em janeiro deste ano, devido à dívida herdada da gestão do PSD, a Assembleia Municipal aprovou um programa de assistência financeira no valor de 12,8 milhões de euros, no âmbito de uma candidatura ao Fundo de Apoio Municipal (FAM).

Em março do ano passado, aquele órgão já tinha autorizado um empréstimo de nove milhões de euros, ao abrigo do plano de acesso ao FAM, montante destinado a “liquidação dos empréstimos anteriores”, relativos ao Plano de Saneamento Financeiro e ao Programa de Regularização Extraordinária de Dívidas do Estado.

Mas Jaime Soares relativiza a situação de endividamento da autarquia, na qual, após a sua primeira eleição, há 40 anos, “teve de se começar tudo do nada”, a fim de promover o desenvolvimento “num município que estava atrasadíssimo”.

“Que saibam agora manter e, se possível, melhorar o que existe”, defende, salientando os avultados investimentos realizados ao longo de décadas, com destaque para o parque industrial, que emprega atualmente mais de mil pessoas.

O ex-autarca lembra que as principais obras dos seus mandatos “nunca foram contestadas pelas populações”.

Mais de dois anos após o PS ter conquistado a Câmara, “a dívida não diminuiu e não há obras”, critica.

O atual presidente, João Miguel Henriques, escusa-se a fazer declarações sobre o seu antecessor.

Jaime Soares diz ainda ter sido sempre absolvido de situações judiciais, algumas movidas por antigos adversários socialistas.

O antigo autarca conciliou sempre a Câmara com cargos e projetos em diferentes entidades públicas, no país e na Europa, como a Assembleia da República, a Associação Nacional de Municípios Portugueses e o Comité das Regiões, entre outras.

Para a presidente da Associação de Desenvolvimento Integrado de Poiares (ADIP), Madalena Carrito, Jaime Soares “foi sempre um homem muito à frente do seu tempo”.

“É uma pessoa de uma inteligência surpreendente e um coração do tamanho do mundo, que lutou insistentemente” pelo progresso do concelho, sublinha a também líder da Confraria da Chanfana.

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