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Germano de Almeida Germano de Almeida Germano Almeida estudou Direito em Lisboa e dedica-se à advocacia na ilha de São Vicente. Seus romances foram traduzidos para diversas línguas. Exerceu o cargo de Procurador-Geral da República de Cabo Verde.

“Liberalização da economia foi má para Cabo Verde”

Germano de Almeida
Germano de Almeida Germano Almeida estudou Direito em Lisboa e dedica-se à advocacia na ilha de São Vicente. Seus romances foram traduzidos para diversas línguas. Exerceu o cargo de Procurador-Geral da República de Cabo Verde.

É indiscutível e não está em causa a evolução que Cabo Verde sofreu nesses 30, 40 anos de independência.

O Cabo Verde de agora não tem nada a ver com o Cabo Verde de há 40 anos e isto é um dado indesmentível. Agora, costumo dizer que em Cabo Verde, a seguir à independência, aconteceu uma revolução que está ainda a progredir. Tivemos evoluções em todos os domínios materiais e intelectuais. Por exemplo, nunca tivemos tanta gente formada no país como a seguir à independência; aliás, muito mais nos anos seguintes à independência. Agora continuamos a ter mais gente formada, inclusivamente mais do que precisávamos. Continuamos a ter universidades em Cabo Verde, penso mais do que precisávamos, inclusivamente. Mas a nível de saúde, de educação, tivemos ganhos imensos.

Até há uns anos atrás, considerava que a revolução iniciada em 1975 tinha sofrido um retrocesso, em alguns aspetos, sim, a partir de 1990, na medida em que o país mudou de paradigma. Em muitos aspetos houve coisas boas, mas noutros, por exemplo, a liberalização da economia, quanto a mim, foi uma coisa má para Cabo Verde. Cabo Verde é um país que não suporta uma economia liberalizada. Noutras questões de abertura política, aconteceram coisas boas, por exemplo temos uma Constituição moderna, pluralista, isto foi bom. E uma certa abertura de Cabo Verde ao Mundo, coisa que o país ainda não tinha conseguido fazer, foi também bom. Excessivo foi na questão por exemplo da demasiada abertura ao turismo, sobretudo o turismo de massas. Penso que isto foi péssimo para Cabo Verde.

Não sou homem de perspetivar coisas para o futuro. Se me disser como é que penso que Cabo Verde será daqui a 30 anos, não faço a mais pequena ideia, não sou capaz de imaginar. Só espero que não piore e que não tenha um retrocesso.

Há uma questão que é a seguinte: Cabo Verde, por mais que a gente fale em economia sustentável, não a temos nem acredito muito que a gente esteja em caminho de ter uma economia sustentável. Cabo Verde não está. Nasceu independente por força das ajudas internacionais. Foram bem utilizadas, é verdade, mas sem elas não estaríamos onde estamos agora. E com o enfraquecimento dessas ajudas, Cabo Verde regrediu bastante. E nós não conseguimos, até agora, meios próprios e sustentáveis, justamente, para dizer que estamos num caminho que nos permite daqui a algum tempo ter a nossa própria economia sustentável e aguentar. Não conseguimos ainda. De maneira que isto pode complicar efetivamente o nosso futuro; esperemos que não aconteça.

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