Fechar
Abrir

Macedo de Cavaleiros, onde as praias e a Natureza rivalizam com o litoral

Num local seco, onde não havia nada, foi construída há mais de 30 anos uma barragem para regadio e abastecimento de água à população no pequeno rio Azibo, em Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança.

A massa de água que se formou no centro do Nordeste Transmontano transformou-se numa das maravilhas de Portugal, em exemplo de proteção ambiental e no mais procurado destino de verão desta região.

O Azibo é imagem de marca do concelho de Macedo de Cavaleiros, com duas praias fluviais, uma delas entre as sete maravilhas de Portugal, 12 anos de bandeira azul, distinção pela acessibilidade a pessoas com deficiência e uma biodiversidade em volta dos 410 hectares de albufeira que não existia antes da barragem.

Em média, 2.300 pessoas frequentam por dia este espaço, na época balnear, segundo contas do presidente da Câmara, Duarte Moreno, que realça à agência Lusa a visibilidade internacional que começa a ter, com a procura por parte dos vizinhos espanhóis.

Em Portugal, rivaliza com as praias do Litoral e não é difícil encontrar nas toalhas estendidas nos areais veraneantes da zona do Porto, por exemplo.

Aos banhos e ao sol, junta-se a vertente ambiental da Paisagem Protegida, que proporciona passeios pela biodiversidade local ou desportos da natureza capazes de mobilizar “550 pessoas num fim de semana chuvoso” ainda longe do verão, como afiança o autarca.

O potencial do Azibo despertou para outros valores naturais do concelho transmontano, que há pouco mais de um ano recebeu o selo de Geoparque, passando a integrar a rede internacional da UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura.

“É um selo que é muito importante para valorizar o território e o que a natureza nos dá”, salienta.

O Geoparque está a atrair “três a quatro mil pessoas por ano, entre geólogos, curiosos e estudantes, só para visitarem geossítios” do concelho, que guardam um importante vestígio geológico.

O Maciço de Morais é testemunho, garantem os geólogos, dos restos de dois antigos continentes e de um oceano, sendo possível encontrar, numa região a duzentos quilómetros do mar, rochas oceânicas.

A centralidade do concelho, onde se cruzam duas das novas rodovias da região, a A4 e o IP2, tem tido um papel importante no fluxo turístico, segundo o autarca.

Duarte Moreno destaca o “impacto na restauração e em casas de alojamento rural”, cujo número disparou nos últimos quatro anos, com “323 quartos e 612 camas” disponíveis.

Esta contabilidade deixa de fora os alojamentos disponibilizados nas aldeias em volta do Azibo, nomeadamente Santa Combinha, com os particulares a tirarem também proveito do movimento no verão.

Nos últimos 30 anos, Macedo de Cavaleiros viveu outros momentos apontados pelo autarca como importantes, concretamente a elevação da vila sede de concelho a cidade, em 1999.

Por outro lado, tem na aldeia de Podence um dos símbolos transmontanos, os Caretos, mascarados que marcam as festas de Carnaval e são embaixadores internacionais em vias de serem classificados como Património Imaterial Nacional, o passo a que se seguirá uma candidatura à UNESCO a Património da Humanidade.

Para o autarca social-democrata, o quarto presidente da Câmara da era democrática, “a estabilidade política” tem permitido manter a aposta e desenvolver os projetos pilares do concelho.

Duarte Moreno não tem dúvidas de que “o futuro passará pelo Turismo da Natureza” e pela “atração de pessoas para segunda habitação nas freguesias” do concelho.

Voltar atrás