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Machico, onde o católico Jardim teve num padre a maior oposição

Machico, concelho no leste da Madeira, foi o que mais oposição deu a Alberto João Jardim, ao ponto deste ter chegado a declarar que “nem mais um tostão” iria para o município que chegou a ser liderado pela UDP.

O concelho é apontado como tendo sido a “arena”, no pós-25 de Abril de 1974, onde se digladiaram duas opções políticas distintas protagonizadas pelo ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim (PSD), e pelo padre José Martins Júnior, que foi deputado e presidente da Câmara pela UDP e, depois, pelo PS.

Símbolo da dialética política na Região devido ao carisma dos seus protagonistas, Machico foi o bastião da luta contra os 37 anos de poder de Alberto João Jardim e por uma alternativa política ao PSD no arquipélago.

Martins Júnior considera, ainda hoje, que a união entre o Paço Episcopal e o PSD/Madeira catapultou Alberto João Jardim para o poder, que viria a abandonar já nesta década.

“A beleza de Abril foi entregue a dois inimigos do 25 de Abril”, defende Martins Júnior, para quem, consumada a união entre a Diocese e o Governo Regional, “a investida contra Machico começou sem olhar a meios”.

Martins Júnior recorda que o bispo Francisco Santana lhe retirou, em 1974, a paróquia da Ribeira Seca, mas, por ter recusado entregar a chave da igreja, foi suspenso “a divinis”, em 1977, situação que persiste até hoje, mas que o não demoveu de celebrar missa porque “o povo assim quis”.

Também foi o povo que, através do voto, o levou à Assembleia Legislativa Regional, primeiro pela UDP e depois pelo PS – sempre com o estatuto de independente – e também à liderança da Câmara do Machico, em 1989 (UDP) e em 1993 (PS).

“Então, começou a grande saga, a saga da autêntica face da Madeira Nova. Não é por acaso que a Madeira Nova se diz estar em paralelo com o Estado Novo, o que foi o Estado Novo para a História de Portugal foi a Madeira Nova para esta região insular, nem mais, nem menos, tirada a papel químico”, observa.

Nessa “perseguição”, Martins Júnior aponta “a asfixia” financeira imposta pelos governos de Alberto João Jardim ao Machico, “por ser diferente”, bem como a agressão de que foi vítima por parte de um secretário regional e a tentativa de o fazer perder o mandato de deputado por faltas injustificadas.

Recorda, ainda, que foi alvo de um voto de protesto da Assembleia Legislativa por ter sido condecorado, nas celebrações do 10 de junho em 1995, pelo Presidente da República, Mário Soares, com a Ordem de Mérito, a penhora do carro oficial da Câmara de Machico por dívidas contraídas na gestão camarária do PSD e a proibição, em 2010, da visita da imagem peregrina de Fátima à igreja da Ribeira Seca pelo facto de a mesma estar “indevidamente ocupada”, justificava então a Diocese, por um padre suspenso “a divinis”.

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