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Maia, de rural a industrial pelas mãos de Vieira de Carvalho

Antigo concelho rural dos arredores do Porto, a Maia transformou-se numa importante zona industrial da Área Metropolitana, fruto da “visão estratégica” que o antigo presidente da Câmara José Vieira de Carvalho teve durante mais de duas décadas.

Conhecido por “Professor” e considerado o “desenhador” do concelho, Vieira de Carvalho entrou para a vida política em 1970, quando foi nomeado presidente da Câmara da Maia, cargo para o qual foi depois eleito em 1979 e no qual se manteve, como candidato do CDS, PSD ou dos dois partidos em coligação, até morrer, em 2002.

“Foi um pedagogo, daria um bom ministro das obras públicas. A Maia era rural e desenvolvemos o concelho, [porque]ele teve uma visão estratégica muito grande”, diz à Lusa o atual presidente da Câmara, António Bragança Fernandes (PSD), que entrou para a autarquia em 1989, a convite de Vieira de Carvalho, e assume a presidência do município desde a sua morte.

Na sua opinião, no âmbito da estratégia delineada por Vieira de Carvalho, a Maia abandonou a sua vertente rural e assumiu-se, sem dúvida, como um “concelho empresarial”, no qual existem atualmente “cerca de 22 mil empresas”.

“Somos o município [entre os 17]da Área Metropolitana do Porto que mais exporta atualmente”, destaca, lembrando os últimos dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre exportações.

Limitada pelos municípios da Trofa, Santo Tirso, Valongo, Gondomar, Porto, Matosinhos e Vila do Conde, a Maia tem o maior parque industrial do país, onde está localizado o TecMaia, que nasceu pelas mãos de Vieira de Carvalho, em 2001, quando ainda não se falava de parques de ciência e tecnologia.

Para Bragança Fernandes, Vieira de Carvalho “projetou o futuro da Maia” e o que, de facto, contribuiu para o seu desenvolvimento foi “a aproximação do aeroporto” Francisco Sá Carneiro, “as autoestradas” no seu perímetro (A28, A3, A7, A4, A41 e A42), a Lipor – Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto e o facto de o concelho ter cobertura de “água e saneamento, com tratamento de resíduos (ETAR)”.

Vieira de Carvalho “tinha uma capacidade brutal para ver o futuro”, afirma o atual autarca.

“Aprendi muito com ele, foi o meu professor”, vinca Bragança Fernandes, não esquecendo que o “Professor” foi também quem levou o Metro do Porto à Maia.

A Maia conta com cerca de 135.300 habitantes e, de acordo com Bragança Fernandes, não é, de todo, uma cidade dormitório do Porto, sendo que atualmente “há mais pessoas que entram do que saem” do concelho para trabalhar.

O autarca destaca, ainda, o “peso político” que Vieira de Carvalho tinha, o que lhe permitiu investir muito no concelho, numa época em que “o paradigma autárquico era outro”, muito diferente do atual.

Além da zona industrial da Maia, também o parque habitacional, as infraestruturas desportivas, as escolas e o apoio social são realidades que dão corpo à visão de Vieira de Carvalho, seguida depois por Bragança Fernandes.

“Não foi por acaso que colocámos uma estátua [de Vieira de Carvalho]na praça [do município]e que a dignificámos”, diz Bragança Fernandes, realçando que também o estádio municipal e a biblioteca municipal têm o seu nome, por exemplo.

Apenas “houve uma matéria em que [Vieira de Carvalho] não se saiu bem”, conclui o autarca, referindo-se à Presidência da República, para a qual se chegou a disponibilizar, em 2000, mas o partido optou pela candidatura de Ferreira do Amaral, porque de resto “foi sempre um ganhador”.

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