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Maria da Fonte ajuda Póvoa de Lanhoso a superar “tsunamis sociais”

Póvoa de Lanhoso enfrentou, já este século, “tsunamis sociais”, como o fecho da fábrica da Lear ou o definhamento do Instituto Superior de Saúde, mas conseguiu sobreviver agarrando-se ao espírito guerreiro de Maria da Fonte.

Para reavivar e espalhar o espírito guerreiro daquela filha da terra, que em 1846 liderou uma revolta popular que conduziria à destituição do Governo, a Câmara de Póvoa de Lanhoso construiu, em 2015, o Centro Interpretativo Maria da Fonte.

Trata-se de um investimento de quase dois milhões de euros e que é considerado pelo presidente da Câmara, Manuel Batista, como “o maior legado cultural” que fica para as próximas gerações do concelho.

Quem entra, depara-se com uma imagem, em tamanho real, de Maria da Fonte, com uma espingarda numa mão e uma foice ao ombro, pronta para a luta.

“É este espírito guerreiro, de não virar a cara à luta, de nunca baixar os braços, que tem permitido vencer as adversidades com que o concelho e os seus habitantes se têm confrontado”, refere Manuel Batista.

Uma das principais adversidades registou-se em 2005, quando a multinacional norte-americana Lear fechou a fábrica de cablagens que detinha em Póvoa de Lanhoso e que chegara a empregar mais de mil trabalhadores.

“Foi um autêntico tsunami”, recorda Maria Vieira, que ali trabalhou durante oito anos e que, de repente, se viu no desemprego.

Com dois filhos para criar, Maria não virou a cara à luta e decidiu investir na sua formação, tirando um curso superior de auxiliar de farmácia, que lhe valeu um novo emprego.

“Se a nossa Maria da Fonte conseguiu fazer uma revolução no país, eu não haveria de conseguir fazer uma revolução na minha vida porquê? Afinal, o ar que ela respirou é o mesmo ar que eu respiro agora”, atira.

Revoluções nas suas vidas fizeram também os restantes ex-trabalhadores da Lear, a maioria dos quais pegou em “armas e bagagens” e rumou ao estrangeiro.

“Foi muito, muito complicado, mas a verdade é que todos eles mostraram a cepa de que é feita a gente das Terras de Maria da Fonte”, diz o presidente da Câmara.

Sério revés para a economia do concelho foi, também, a agonia do Instituto Superior de Saúde do Ave (ISAVE), criado em 2002, mas que em 2010 foi declarado insolvente, por dívidas que ascenderiam a mais de 12,5 milhões de euros.

O ISAVE chegou a ter mais de 2.000 alunos, mas, atualmente, segundo Manuel Batista, terá apenas meia centena.

“Foi má gestão”, acusa o autarca, criticando ainda a deslocação do instituto para a freguesia de Geraz do Minho, muito perto de Braga, que levou a que os alunos deixassem de “fazer vida” em Póvoa do Lanhoso.

No entanto, Manuel Batista acredita que o concelho, mais uma vez, saberá dar a volta por cima e seguir em frente.

“Temos de honrar a memória de Maria da Fonte, ela não nos perdoaria se a deixássemos ficar mal”, remata.

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