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Mata do Buçaco, a “quinta maravilha” da Mealhada

A Mealhada admite alargar a lista oficial das 4 Maravilhas do concelho, de maneira a incluir o Buçaco, mata candidata a Património Mundial da Humanidade que aguarda classificação por parte do Governo como Monumento Nacional.

“Acho que vale a pena discutir essa possibilidade, tendo em conta a importância do Buçaco para o município, embora não deva ser fácil, uma vez que as 4 Maravilhas são uma marca registada. O meu conselho é o de que se deliciem com as 4 Maravilhas da Mealhada à mesa, ou seja, com o leitão, vinho, água e pão, e depois descansem na nossa quinta maravilha, o Buçaco e o Luso”, argumenta Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada.

A marca “Água, Pão, Vinho, Leitão – 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada” foi lançada há nove anos, distribuindo anualmente a estabelecimentos comerciais, como restaurantes, panificadoras ou produtores de vinho, galardões que garantem ao consumidor a autenticidade e qualidade dos produtos gastronómicos de referência do concelho.

Os galardões são fruto de uma parceria que envolve a autarquia, a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, a Associação de Municípios Portugueses do Vinho, o Centro de Formação Profissional para o Setor Alimentar, a Comissão Vitivinícola da Bairrada e a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal.

Venha ou não a fazer parte da lista oficial das Maravilhas da Mealhada, o Buçaco é encarado como um “tesouro inestimável” no município, tendo-se tornado nos últimos anos um símbolo do renascimento e transformação do concelho.

O advogado Miguel Ferreira, membro da Assembleia Municipal e adversário político de Rui Marqueiro, deixa de lado as divergências quando o assunto é o Buçaco e a sua importância no renascimento da Mealhada.

“É impossível dissociarmos o Buçaco de toda e qualquer estratégia económica e turística do concelho da Mealhada. Verdadeiro diamante em bruto, a Mata, em todas as suas vertentes, tem vindo a dar passos tímidos em direção àquilo que verdadeiramente será desejável que represente”, refere o advogado, deixando um aviso: “Comparando com vilas como Óbidos ou Sintra, que souberam potenciar em meia dúzia de eventos anuais os seus recursos, julgo que ainda muito pouco foi feito para aproveitar a multiplicidade de valências que o Buçaco possui”.

António Gravato, presidente da Fundação Mata do Buçaco, que desde 2009 gere um património que inclui uma vasta área florestal de 105 hectares, um Convento construído em 1630, um hotel de 5 estrelas e diversas casas e edifícios de apoio, não tem dúvidas de que “a Mata Nacional do Buçaco é indiscutivelmente a quinta maravilha da Mealhada”, argumentando que a sua requalificação marca uma mudança na história do concelho.

Rui Marqueiro está de acordo: “A criação da Fundação Mata do Buçaco é um momento muito importante na história da Mealhada, porque representou a entrada do município na gestão de um tesouro florestal e cultural que até aí estava esquecido”, explica.

O autarca garante que já na sua primeira passagem pela liderança do executivo municipal (1989-1999) “sonhava” com a recuperação da Mata, mas que havia nessa altura outras prioridades, relacionadas com “coisas básicas e essenciais”, como redes de saneamento e água.

“Durante os anos 1990 apostámos em infraestruturas de água, saneamento, rede viária e na construção de equipamentos como o Pavilhão Municipal ou as piscinas municipais”, explica, acrescentando que, “logo que houve folga, foi possível apostar em projetos como a reconversão dos viveiros no parque municipal e na requalificação do Luso e Buçaco”.

Hoje, a Fundação vive com fundos provenientes da venda de entradas, de donativos de particulares, de candidaturas a fundos europeus e recebe cerca de 200 mil euros anuais da Câmara da Mealhada.

“Não recebemos um cêntimo do poder central”, orgulha-se António Gravato, que agradece o apoio da autarquia em momentos muito complicados, como as situações de mau tempo em 2013 e 2015 e a praga de nemátodo do pinheiro, que dizimou 15 hectares do pinhal do Marquês da Graciosa.

Gravato destaca, ainda, o trabalho dos voluntários, sem o qual seria impossível manter a mata nacional e, sobretudo, combater as espécies invasoras.

A Mata Nacional do Buçaco foi plantada pela Ordem dos Carmelitas Descalços no século XVII, encontrando-se delimitada pelos muros erguidos pela ordem para limitar o acesso à mata.

Em 2015, a Mata ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 200 mil visitantes, número que a Fundação espera superar em 2016.

A classificação como Monumento Nacional está pronta e aguarda apenas aprovação em Conselho de Ministros. A Fundação e a autarquia estão a preparar uma candidatura a Património Mundial da Humanidade da UNESCO.

Dentro dos muros da Mata funciona desde 1917 o Palace Hotel do Bussaco, um cinco estrelas de arquitetura neomanuelina de 1888, rodeado de uma mata plantada pela Ordem das Carmelitas no segundo quartel do século XVII.

O edifício foi projetado pelo italiano Luigi Manini, cenógrafo do Teatro Nacional de São Carlos, e os seus interiores foram enriquecidos com obras de diversos pintores nacionais contemporâneos, como António Ramalho, Carlos Reis ou João Vaz.

A exploração do hotel pertence desde 1917 à família do empresário Alexandre de Almeida, que geriu outros hotéis emblemáticos da região Centro, como o Astória de Coimbra e o Palace da Curia.

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