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Matadouro gera emprego e afirma Sousel na fileira da carne

Principal empregador privado de Sousel, o Matadouro Regional do Alto Alentejo, aberto em 1991, é hoje apontado como uma “aposta ganha”, pelos contributos para a economia e para a afirmação do concelho na fileira da carne.

Considerado pelo presidente do município, Armando Varela, como um “projeto âncora” para Sousel, no distrito de Portalegre, o matadouro, que emprega atualmente cerca de 80 pessoas, deu pujança económica e mudou a face a um concelho essencialmente agrícola do Alto Alentejo.

“Sousel seria certamente diferente sem o matadouro. Eventualmente, poderia encontrar outros caminhos, mas, felizmente, esta aposta foi feita e tem direcionado o dia-a-dia deste concelho”, diz à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal, o social-democrata Armando Varela.

Uma empresa deste género numa zona do interior do país como Sousel, empregando diretamente 80 funcionários e indiretamente 210 pessoas, tem, segundo o autarca, uma “influência determinante” naquilo que é a qualidade de vida da população.

“O concelho era, sobretudo, uma região muito agrícola e o matadouro mudou o perfil da economia e do trabalho em Sousel”, diz, destacando a aposta concelhia na fileira da carne, uma das mais-valias do território e importante fonte geradora de postos de trabalho.

Aberta em 1991 com maioria de capitais privados, a unidade de abate e desmanche de gado bovino, suíno, ovino e caprino passou a ter o Estado como maior acionista em 1996, regressado, depois, em 2006, a maioria do capital às mãos de privados (três empresas transformadoras de carnes).

Ao longo de 25 anos, o matadouro, apesar de ter contribuído para a afirmação do concelho na fileira da carne, também tem vivido entre altos e baixos, tendo chegado a empregar 143 trabalhadores, ao passo que hoje dá diretamente trabalho a 80 funcionários.

Com três linhas de produção, abate, desmanche e covetização/rotulação, o matadouro tem capacidade para abater por dia cerca de 2.200 ovinos e caprinos, 600 suínos e 200 bovinos.

José Serralheiro, um dos administradores da empresa, explica à Lusa que a unidade está a atravessar uma fase de recuperação, depois de ter passado, em 2011 e 2012, por “um período mais baixo”.

Embora considere que o negócio das carnes é “muito complicado”, com períodos de “muito trabalho”, principalmente nas épocas de Natal e Páscoa, José Serralheiro não tem dúvidas em afirmar que a unidade de abate de gado é “importante” para Sousel, em termos sociais e económicos.

“O matadouro, além de ser a principal entidade empregadora privada, desempenha também um papel social muito importante, porque é vital para a economia de Sousel e dos concelhos vizinhos”, sublinha.

Recordando que “o concelho fez há muitos anos uma aposta clara” no âmbito da rede nacional de abate, o autarca Armando Varela adianta que Sousel prevê lançar um projeto para a constituição de um centro de competências da carne, no Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo, como forma de “acrescentar valor” ao matadouro.

Graças ao matadouro, um “projeto âncora” para Sousel, até a área da educação sofreu alterações no concelho, ao ponto de, refere o autarca, o ensino secundário vocacional contar com uma área destinada às indústrias alimentares.

“Esta indústria [matadouro]estimulou a criação de uma componente formativa focada nas indústrias alimentares, com foco especial no setor da carne”, frisa.

Lembrando que, “durante muito tempo, existiu um divórcio” entre aquilo que eram as necessidades de qualificação dos trabalhadores das empresas e a capacidade formativa ao nível do ensino secundário, Armando Varela afirma que a situação foi alterada com o desenvolvimento do matadouro e de outras indústrias sediadas na zona vocacionadas para o setor da carne.

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