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Melhores cuidados de saúde em Santiago do Cacém com novo hospital

A melhoria da prestação de cuidados de saúde em Santiago do Cacém foi notória com a abertura, em 2004, do Hospital do Litoral Alentejano, que permitiu disponibilizar mais especialidades médicas, embora sem a concretização da ambicionada maternidade.

Mais médicos, mais enfermeiros, mais especialidades médicas, mais exames, mais tecnologia e, também, uma maior capacidade de internamento, permitiram a melhoria da prestação de cuidados de saúde à população do concelho, que continua, no entanto, “à espera” da construção de uma maternidade.

O Hospital do Litoral Alentejano (HLA), construído entre 2000 e 2003, abriu portas em junho de 2004 para dar resposta às necessidades da população não só de Santiago do Cacém, mas também dos concelhos vizinhos de Grândola, Alcácer do Sal, Sines e Odemira, onde residem ao todo perto de cem mil pessoas.

Até 2004, funcionava na cidade alentejana o antigo Hospital Conde do Bracial, num edifício da Santa Casa da Misericórdia local, entretanto devolvido à instituição, que o requalificou e converteu numa Unidade de Cuidados Continuados.

“No Hospital Conde do Bracial havia apenas um raio-X simples e hoje em dia temos dois e uma sala telecomandada, temos dois [equipamentos para]TAC [tomografia axial computorizada]e um mamógrafo”, exemplifica, evidenciando a evolução técnica, Nuno Oliveira, médico-cirurgião no HLA, que liderou a administração do antigo hospital, entre 1996 e 2003.

Em declarações à agência Lusa, o especialista destaca, por exemplo, a possibilidade de fazer atualmente “ecografias todos os dias”, exame que antes não existia no antigo serviço hospitalar.

“Antes havia uma sala do bloco operatório e hoje temos quatro”, compara, ainda, referindo que, em termos de recursos humanos, se passou de “cerca de 180” funcionários no antigo hospital para “630 trabalhadores” no HLA, que se tornou no maior empregador do concelho e num dos maiores do litoral alentejano.

A trabalhar há cerca de 24 anos no serviço hospitalar em Santiago do Cacém, o enfermeiro Amaro Silva Pinto recorda situações de “politraumatizados que tiveram de ser evacuados com urgência [do antigo hospital]para São José ou Setúbal” e que “agora seriam resolvidas no HLA”.

O enfermeiro considera, no entanto, que “continuam a faltar” algumas “necessidades específicas” detetadas mesmo “antes da construção do hospital”, como, por exemplo, as valências de “neurologia” e de “cardiologia de intervenção”.

A par destas questões, Amaro Silva Pinto aponta ainda a necessidade de melhorar as instalações do serviço de urgência que considera estar “subdimensionada” para a população.

O presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, que considera ser clara a melhoria da prestação de cuidados de saúde com o HLA, faz no entanto questão de mencionar “alguns aspetos” que ficaram “aquém daquilo que eram as expectativas das autarquias e das populações”.

“Recordo a questão da maternidade, que estava prevista no próprio projeto e existe até uma parte do edifício que está em tosco que foi concebida [para esse fim]na construção, mas que nunca chegou a ser equipada e nunca funcionou”, lamenta Álvaro Beijinha, que critica, ainda, que o serviço de “internamento de pediatria nunca tenha funcionado”.

Também o coordenador da Comissão de Utentes de Santiago do Cacém, Dinis Silva, aponta a maternidade como uma necessidade, lembrando “que as parturientes têm hoje de percorrer mais de cem quilómetros para terem os seus bebés”, com deslocações até Setúbal ou Beja.

“Infelizmente, ainda hoje acontecem partos nas ambulâncias e nas urgências do HLA”, lamenta, considerando que “se houvesse uma maternidade, seria uma mais-valia para todos”.

Embora defenda que a quantidade de médicos e especialistas é atualmente insuficiente para a população que serve, Dinis Silva reconhece as melhorias que o novo hospital impulsionou nos cuidados de saúde da região, até porque “o número de especialidades [médicas disponíveis] cresceu muito”.

“Hoje, temos cirurgias de oftalmologia, que não tínhamos no Hospital Conde do Bracial, temos cardiologista quase todos os dias, ginecologia, medicina física e de reabilitação, temos uma série de áreas que não existiam no hospital antigo”, exemplifica.

O atual presidente do Conselho de Administração do HLA, Paulo Espiga reconhece duas expectativas que terão ficado “por cumprir” até hoje com a construção do hospital, como a maternidade, que não defende, e o número suficiente de profissionais médicos.

“O hospital, no primeiro momento da sua conceção, incluía uma maternidade, mas isso nunca foi feito, porque o número de partos não justificava, independentemente de que para as mães isso fosse mais confortável, não era tão seguro”, justifica.

O mesmo responsável argumenta que “a evolução da organização dos cuidados de saúde em Portugal, que permitiu ter os níveis atuais de mortalidade infantil, neonatal e materna”, deveu-se “a melhorias muito concretas que incluíram, entre outras, não haver pequenas maternidades pelo país”.

Além da maternidade, Paulo Espiga lembra que o “hospital não teve até hoje o número de profissionais médicos em todas as especialidades que permitisse dar toda a gama de cuidados prevista”, algo que “quer tentar ultrapassar” enquanto administrador.

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