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Mesão Frio luta por estrada e vê multiplicar unidades turísticas

Mesão Frio luta há anos por obras na estrada que cortem as curvas e o isolamento, mas, apesar deste constrangimento, viu nascer várias unidades de alojamento turístico na última década, que recuperaram património histórico e criaram emprego.

A reivindicação é antiga e é repetida a cada novo Governo: Mesão Frio quer um “melhor acesso”.

“É um ponto de honra, porque sabemos que o concelho, sem esta estrada, dificilmente poderá dar o passo em frente que nós pretendemos”, afirma à agência Lusa o presidente da Câmara de Mesão Frio, Alberto Pereira.

O autarca disse que já perdeu a esperança na construção do Itinerário Complementar 26 (IC26), que chegou a ser prometido pelo Governo socialista de José Sócrates. Agora, em cima da mesa está a requalificação da Estrada Nacional 101 (EN101), que liga Mesão Frio à Autoestrada 4 (A4), em Amarante.

Alberto Pereira centra esforços na beneficiação da EN101 em detrimento da EN108, que liga à Régua, porque esta última via atravessa o Douro Património Mundial da Humanidade, o que eleva os custos da intervenção.

São, no entanto, duas estradas de curvas e contracurvas, algumas das quais tão apertadas que um veículo pesado tem de fazer manobras para conseguir passar.

Segundo Alberto Pereira, o seu concelho é atravessado diariamente por muitos camiões que fazem o transporte de vinho do Porto do Douro para Vila Nova de Gaia.

Com este estrangulamento nas vias de comunicação, o autarca diz que nenhum empresário vai investir neste território.

Implantado em plena Região Demarcado do Douro (RDD), este é um dos concelhos do país com mais área percentual ocupada por vinha e que tem no vinho a principal fonte de receita.

É também um município afetado pela crise de rendimento dos viticultores e, nos últimos anos, foi notícia, por diversas vezes, pelos elevados índices de desemprego.

A ajudar a ultrapassar estes problemas está o turismo, que registou um aumento substancial na última década em número de visitantes e em novas unidades de alojamento.

Até ao final de 2016 vão estar em funcionamento 16 unidades turísticas, entre hotéis ou casas de turismo rural, com mais de 120 quartos.

“Nós últimos anos o turismo tem sido a âncora fundamental para Mesão Frio”, frisa Alberto Pereira.

O autarca diz que estes investimentos criaram emprego nas diferentes freguesias do concelho e recuperaram “património histórico”, que em alguns casos estava já muito degradado, e ajudaram também a dar um “novo fôlego” a quintas vinhateiras.

“Trazem também visitantes que vão deixando dinheiro no comércio local, principalmente na restauração”, frisa.

O Água Hotels Douro Scala nasceu da recuperação do edifício histórico da Quinta do Paço, em Cidadelhe, representando um investimento de cinco milhões de euros, com financiamento comunitário, que criou mais de 30 postos de trabalho, tendo recrutado a maior parte dos funcionários no concelho.

Nicolau e Cândido Lopes são dois irmãos arquitetos que, quando a crise atingiu o setor da construção, decidiram construir pequenas casas turísticas, de tipologia T0, T1 e T2, que se espalham pelos socalcos de Vila Marim.

Construídas em aço ou em xisto, estas unidades têm-se revelado uma “aposta ganha” que, segundo Nicolau Lopes, “começa a dar retorno”.

O empreendimento Casas de Campo de Vila Marim está aberto há um ano e, segundo o empresário, acolhe muitos turistas portugueses e estrangeiros.

Alberto Pereira acredita que as boas notícias na área do turismo poderão passar ainda pela reabertura de um hotel na sede do concelho, que está encerrado há oito anos, e também pela concretização do Douro Marina Hotel, um projeto da empresa Douro Azul.

Por ser um concelho afetado pelo despovoamento e pelo envelhecimento populacional, Mesão Frio elegeu os “resistentes” e os que “teimam em aqui ficar” como uma prioridade e, nesse sentido, tem incrementado vários apoios sociais, que passam pelas ajudas à recuperação de habitação degradada ou bolsas de estudo para os universitários.

A reforma judiciária trouxe uma “enorme contrariedade” para este município com o encerramento do tribunal mas, segundo o autarca, o dia do anúncio da reabertura deste edifício em 2017 foi o “mais feliz” da sua vida.

 

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