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Moderna rede viária impõe novos desafios ao Porto Moniz

A nova rede viária, construída entre finais do século XX e princípios do século XXI, quebrou o isolamento do Porto Moniz, no norte da Madeira, mas o município ainda enfrenta a dificuldade de ser o mais distante e menos populoso.

“É mais rápido chegar ao Porto Moniz, mas também é mais rápido sair”, lembra o presidente da Câmara Municipal, o socialista Emanuel Câmara, eleito em 2013, numa altura em que uma viagem entre o Funchal e a vila sede do concelho era já feita em apenas 50 minutos, muito longe das três horas de antigamente.

O Porto Moniz dista 50,8 quilómetros da capital madeirense, seguindo por vias rápidas, e isso ditou, em parte, um movimento de saída dos residentes, mas também fez aumentar a população flutuante.

O município, profundamente marcado pelo envelhecimento, é, de resto, o menos populoso da região autónoma, com 2.711 habitantes (Censos 2011), quando nos anos 50 do século XX tinha chegado aos 6.422.

A economia local assenta em dois pilares fundamentais – a agricultura e o turismo -, este último com particular enfoque nas freguesias do Porto Moniz e do Seixal, que a par com Achadas da Cruz e Ribeira da Janela compõem o concelho criado em 1835.

“Temos uma frente-mar invejável e o futuro do Porto Moniz passa por dinamizar o porto de abrigo que, pela sua localização, pode ser considerado um dos mais seguros da região autónoma”, afirma Emanuel Câmara, vincando que o concelho fica apenas a uma hora de distância do Porto Santo, fazendo a viagem em catamarã.

O desafio que a autarquia lança é no sentido de ver reforçado o investimento no setor turístico, tirando partido das “características muito próprias” e dos ‘ex-líbris’ que constituem “marca e referência” do local e da Madeira há décadas, como as piscinas naturais e a antiga Estrada Regional 101, atualmente encerrada.

“O turista não procura vias rápidas nem túneis, daí a vontade do município de reabrir alguns troços da antiga estrada regional”, explica Emanuel Câmara.

Esta rodovia, também conhecida por “Estrada da Rocha”, estabelecia a ligação entre os concelhos de São Vicente e Porto Moniz e era a mais perigosa da ilha, mas também a mais pitoresca, rasgando grande parte da costa norte em abismos sobre o mar.

Outra grande potencialidade do município resulta do facto de possuir a maior mancha de Floresta Laurissilva da Madeira, que é Património Natural da Humanidade da UNESCO e que faz do Porto Moniz um ponto de passagem obrigatória para turistas e caminheiros.

“Temos uma frente mar invejável, temos a maior mancha de Floresta Laurissilva, temos equipamentos como o Aquário da Madeira, um teleférico nas Achadas da Cruz e um porto de abrigo”, recorda o autarca, ao mesmo tempo que critica o uso recorrente de imagens do norte da ilha nas campanhas de promoção da costa sul.

Em termos sociais, o maior problema do concelho é o envelhecimento da população e a consequente desertificação, mas Emanuel Câmara realça que “manter as estruturas públicas em funcionamento deve ser visto não como um custo, mas como um investimento, um apoio à fixação das pessoas e uma garantia de segurança para o turismo”.

A autarquia avançou, nesse sentido, com medidas como a criação do Gabinete de Apoio ao Idoso, através do qual é atribuído um apoio anual de 120 euros às famílias e, por outro lado, instituiu o transporte escolar gratuito e a entrega gratuita dos manuais escolares.

A Câmara Municipal do Porto Moniz apoia, ainda, todos os estudantes universitários com uma bolsa de 150 euros mensais e comparticipa com 200 euros duas passagens aéreas por ano letivo para os que estudam fora da ilha.

“É pena que a preocupação, um pouco por toda a Europa, seja apenas o dinheiro. Esquecem-se das pessoas”, diz o autarca, considerando que o êxodo rural no Porto Moniz resultou, em grande parte, da “falta de políticas certas no passado”.

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