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Morte de Vergílio Ferreira, um “acontecimento trágico” para Gouveia

A morte do escritor Vergílio Ferreira, a 01 de março de 1996, foi um “acontecimento trágico” para o concelho de Gouveia, admite ainda hoje Santinho Pacheco, que então desempenhava as funções de presidente da Câmara local.

Segundo o antigo autarca e atual deputado do PS na Assembleia da República, a morte do autor de ‘Manhã Submersa’ foi “uma enorme perda para a cultura e literatura Portuguesa e um acontecimento trágico para o concelho de Gouveia”.

Santinho Pacheco lembra que viveu aquele momento “de perto”, como “amigo [de Vergílio Ferreira]e como presidente da câmara”.

O escritor nasceu a 28 de janeiro de 1916, na aldeia de Melo, no concelho de Gouveia, distrito da Guarda.

“Não é possível imaginar o que seria hoje Melo e Gouveia, enquanto polo de turismo cultural, com Vergílio Ferreira ao nosso lado durante mais alguns anos. Ele, que acabara de nos legar parte do seu espólio literário, a sua biblioteca e um conjunto de objetos pessoais de grande valia sentimental, um gesto de quem reaprendera a amar Melo com uma intensidade comovente”, diz Santinho Pacheco.

Vinte anos após a morte de Vergílio Ferreira, o ex-autarca refere que a “gratidão do concelho de Gouveia” para com a memória do escritor “assume dois aspetos fundamentais: é preciso dar corpo ao Centro de Estudos Vergilianos no Paço de Melo, para atrair investigadores e literatos à terra onde aprendeu a sensibilidade que lhe coube. Depois, e tão ou mais importante, é ler Vergílio Ferreira”.

“Veremos que ninguém poderá ficar indiferente, já que nos delicia com a maestria da linguagem. Voltar a ter ‘Aparição’ como livro de leitura obrigatória no 12.º ano seria um gesto de enorme simbolismo”, defende.

O antigo presidente do município de Gouveia assinala que o escritor natural de Melo, “apesar de ter merecido os prémios mais relevantes da literatura portuguesa, foi de uma simplicidade só comparável à sua grandeza, a grandeza de um dos mais importantes escritores portugueses, autor de tantas obras maiores da nossa ficção”.

Santinho Pacheco recorda a presença de Vergílio Ferreira em Gouveia quando, em 10 de setembro de 1995, acompanhado pelo Presidente da República de então, Mário Soares, inaugurou a Biblioteca Municipal com o seu nome, para utilização pública e para “mostrar ao estudioso de amanhã quais os interesses culturais de um intelectual português do século XX”.

“‘Da Serra nasceu, à Serra voltou, granito nunca lapidado pelo mundanismo da cidade’, nas palavras do seu amigo Lauro António, foi em Melo que quis repousar, ‘Para Sempre, virado para a Serra'”, conclui o antigo autarca de Gouveia.

Além de uma biblioteca com o nome do escritor, a Câmara Municipal de Gouveia colocou um busto de Vergílio Ferreira na Praça de São Pedro, no centro da cidade.

A partir de 1997, a autarquia também passou a atribuir anualmente o Prémio Literário Vergílio Ferreira, para “promover, divulgar e apoiar atividades culturais de âmbito literário, para além de homenagear um dos maiores escritores do século XX, em Portugal.

A autarquia, atualmente presidida por Luís Tadeu, criou ainda um “Roteiro Vergiliano”, para auxiliar os visitantes na deslocação aos locais referenciados pelo autor nas suas obras e requalificou um largo, na aldeia de Melo, que contém referências à vida e à obra de Vergílio Ferreira.

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