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Museu da Batalha prova que há vida para além do mosteiro

O Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB) tem somado prémios pela promoção da inclusão e da história local e tem mostrado que naquela vila do distrito de Leiria há mais do que um mosteiro Património da Humanidade.

Em 2012, um ano depois de abrir, o MCCB foi considerado o Melhor Museu Português, pela Associação Portuguesa de Museologia, e em 2013 recebeu o prémio Kenneth Hudson, do Fórum Europeu dos Museus, entre outras distinções. Nestes cinco anos, acolheu mais de 30 mil visitantes, dez por cento dos quais cidadãos com necessidades especiais.

“O balanço é muito positivo”, afirma à agência Lusa o presidente da autarquia, Paulo Batista Santos, realçando de entre a ação do MCCB “a promoção do território e suas gentes” e a preocupação com “as acessibilidades aos conteúdos”.

O autarca destaca “o enorme prestígio” que as distinções recebidas pelo museu têm garantido “à Batalha e à região”, pela “grande relevância museológica, tanto em termos nacionais, como internacionais”.

Prova disso é que, no início deste ano, o museu recebeu a visita de Hans-Martin Hinz, presidente do ICOM – Conselho Internacional dos Museus, “a mais importante organização museológica mundial e que veio à Batalha especificamente para visitar o MCCB”.

O projeto da autarquia, sublinha Paulo Batista Santos, “ajuda a consolidar o destino e a acrescentar valor ao ‘touring’ turístico/cultural que se oferece a todos aqueles que visitam” a Batalha e que procuram, sobretudo, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória.

A “investigação participada” tem permitido o envolvimento de técnicos, académicos, associações, população e outros. Essa opção museológica redundou em exposições alusivas à exploração mineira na Batalha e na região e ao ensino no concelho.

Em 2015, o MCCB recebeu menos mil visitantes do que no ano anterior, mas a redução não preocupa o presidente da autarquia: “Parcerias estabelecidas recentemente com a Fundação Batalha de Aljubarrota e com o Mosteiro de Santa Maria da Vitória para a venda de bilhetes do museu nestes equipamentos vão, certamente, dar frutos e, acima de tudo, consolidar um roteiro cultural e turístico de excelência”.

Além dessas colaborações, o MCCB pretende no futuro projetar-se mais longe do que as paredes do edifício que o recebem no centro da vila.

“Muito proximamente pretendemos alargar a intervenção do museu em outros espaços do concelho, com novas parcerias e, também, realizar um evento em torno dos patrimónios da humanidade nacionais e internacionais. Só desta forma conseguiremos almejar um verdadeiro museu, capaz de fazer jus às distinções recebidas”, diz o autarca.

Para Paulo Batista Santos, a maior conquista do MCCB até agora foi “o facto de a comunidade se rever neste museu e o considerar um espaço que representa dignamente a história do concelho e da região. Um bom exemplo deste espírito colaborativo reside no espólio que foi confiado pelos munícipes”.

Ana Mercedes, responsável pelo projeto museológico do Museu da Comunidade Concelhia da Batalha, diz olhar “para este projeto com muita alegria”.

“Não estou lá, continuo a acompanhar como consultora científica, mas a equipa, com o apoio da autarquia, está a desenvolver o museu para uns limites que nem eu própria quando deixei de estar diretamente envolvida, em 2011/2012, esperaria. É surpreendente a criatividade da equipa com a comunidade. É uma grande alegria”, afirma.

Ana Mercedes recorda os “11 prémios ganhos, três ou quatro importantíssimos, que são um grande orgulho”.

“Juntar a comunidade, os especialistas, os técnicos e os autarcas, é um projeto a quatro que continua a funcionar depois deste tempo todo, o que é muito bom. Inclusão e projetos de participação continuam a ser os projetos-chave do museu”, sublinha.

Para Ana Mercedes, “o que está em grande desenvolvimento é o sentido inclusivo do museu. Nasceu com esse conceito e não só tem continuado, como todos os dias melhora. As organizações e pessoas com dificuldades de todo o tipo continuam a achar naquele museu um pequeno laboratório para fazer as coisas melhor. Fazer e aprender”.

“Essa dinâmica criada pelo museu na localidade, uma terra que rodeia um património mundial daquela envergadura, acabou por – salvaguardando as devidas distâncias – fazer com que chegamos [o museu]a ombrear com o mosteiro em termos de identidade e notoriedade junto da comunidade. A população sente isso, sente-se retratada naquele museu”, conclui.

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