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Paredes tem quatro cidades e seis vilas, mas estatutos pouco acrescentaram

O concelho de Paredes, no distrito do Porto, tem menos de 90.000 habitantes, mas reúne no território quatro cidades e seis vilas, estatutos que, segundo autarcas ouvidos pela Lusa, pouco acrescentaram às povoações.

“Julgo que a elevação das vilas a cidades e das freguesias a vilas não veio alterar a dinâmica económica e social destas localidades”, reconhece hoje Granja da Fonseca, o presidente da Câmara em 2003, quando a maioria das localidades viram o seu estatuto ser alterado.

A primeira elevação a cidade aconteceu com a sede do concelho, em 1991 – era então presidente da Câmara o democrata-cristão Jorge Malheiro -, uma promoção à data entendida como natural, porque refletia o crescimento urbano da então vila de Paredes, centro do concelho mais populoso do Vale do Sousa.

Naquela década, eram também promovidas a cidades outras sedes do concelho da região, como Felgueiras e Paços de Ferreira, traduzindo a crescente urbanidade do interior do distrito do Porto.

Durante cerca de uma década, Paredes foi a única cidade do concelho, mas, em 2003, o concelho vê “nascer”, por iniciativas parlamentares, as cidades de Lordelo, Rebordosa e Gandra. As duas primeiras contavam à data, cada uma, com uma população próxima dos 10.000 habitantes e centenas de empresas, sobretudo de mobiliário, mas Gandra não chegava sequer aos 7.000 residentes.

No mesmo ano, o concelho ganha cinco vilas: Baltar, Cete, Recarei, Sobreira e Vilela. Das cinco novas vilas, só Vilela atingia os 5.000 habitantes.

Em 2011, uma sexta vila é criada no concelho de Paredes, na localidade de Sobrosa, com uma população inferior a 3.000 habitantes.

Granja da Fonseca, do PSD, era o presidente da Câmara quando aconteceu o ‘boom’ de cidades de vilas no concelho. Em declarações à Lusa, recorda aquela fase do seu mandato: “Foi um trabalho executado em articulação e com a colaboração prestimosa da vereadora Raquel Coelho. Foi um trabalho bem conseguido e que me deixou, enquanto autarca, à data, bastante orgulhoso”.

O ex-presidente do executivo regozija-se por, ainda hoje, Paredes manter “o estatuto ímpar de ter quatro cidades”, defendendo ser “caso único no país”.

Granja da Fonseca assinala que “Rebordosa e Lordelo eram, à data, os dois maiores aglomerados populacionais e industriais do concelho e continuam a sê-lo”.

“Julgo que o estatuto que foi atribuído pela Assembleia da República foi o reconhecimento da dinâmica económica e da vitalidade social que já existia nestas localidades”, conclui.

O presidente da Junta de Lordelo, Nuno Serra (PSD), em declarações à Lusa, diz, por seu turno, que a promoção de estatuto teve apenas “efeitos ténues”.

“Lordelo, quando foi elevada à categoria de cidade, era já um grande polo industrial, com um núcleo de empresas importante, pelo que os impactos não foram significativos, mas é um facto que a elevação a cidade trouxe uma visibilidade maior e isso é quase intuitivo”, comenta.

Do lado de Rebordosa, o presidente da Junta, Elias Barros (PS), também admite que “as vantagens da alteração do estatuto de vila para cidade foram poucas”.

“Rebordosa dispõe de um dos polos industriais mais importantes do país, paga os seus impostos, produz riqueza, mas quando se trata de transferir verbas para a freguesia tem sido penalizada em relação a outras do concelho”, lamenta.

Para este autarca, “não vale a pena ter títulos quando não existe apoio nem vontade política”, frisando a necessidade de se “continuar a lutar” para “defender o futuro de Rebordosa”.

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