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Património Mundial transforma paisagem da cultura da vinha na Madalena

A cultura da vinha na ilha do Pico, nos Açores, remonta ao século XV, mas só em 2004, ocasião em que a produção já estava “moribunda”, é que acabou por ser classificada como Património Mundial da UNESCO.

A classificação acabou por constituir uma homenagem ao “homem do Pico” que, durante séculos, transformou os terrenos de lava em pequenos currais de pedra, criando condições “excecionais” para a produção de vinho.

“Esta classificação é hoje um motivo de orgulho para a população do Pico”, realça Paulino Costa, diretor do Parque Natural da Ilha do Pico, em declarações à Lusa, considerando que a aprovação da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura foi “fundamental” no desenvolvimento da cultura da vinha.

Antes de a candidatura, apresentada pelo Governo dos Açores, ter sido remetida à UNESCO, havia apenas uma área de 160 hectares de terreno em produção na ilha do Pico, que era assegurada por poucas dezenas de vitivinicultores, a maioria dos quais com mais de 60 anos de idade.

“Doze anos depois da classificação, a área de produção, que estava praticamente moribunda, passou de 160 para 500 hectares”, diz Paulino Costa, adiantando que o plano de ordenamento entretanto criado permitiu “revitalizar” uma extensa área de paisagem que estava “em risco”.

O diretor do Parque Natural da Ilha refere, no entanto, que no início do processo houve “alguma resistência” por parte da população, sobretudo dos proprietários de terrenos e de adegas (pequenas casas de pedra ligadas à produção do vinho), por temerem não poder construir no local.

“Às vezes, estas classificações estão de costas voltadas para as populações”, admite Paulino Costa, notando, contudo, que não foi o caso da paisagem da cultura da vinha do Pico, já que “depressa as pessoas se aperceberam de que tinham mais a ganhar do que a perder com este projeto”.

Para esta mudança de comportamento contribuiu um programa de apoio financeiro, criado pelo executivo açoriano, destinado aos viticultores, para a reabilitação das suas vinhas localizadas em áreas do Património Mundial e na zona tampão.

Além do aumento da área de produção, a classificação da UNESCO impulsionou também o surgimento de novas empresas ligadas à produção de “vinhos de qualidade”, rivalizando com a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, que até então era a única unidade fabril na ilha.

Hoje, a paisagem da cultura da vinha do Pico constitui um cartaz turístico, sobretudo para o concelho da Madalena, tendo levado ao surgimento de vários percursos pedestres e até de um nicho de mercado próprio, o enoturismo.

A paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico é composta por uma faixa de território que vai do Lajido da Criação Velha (concelho da Madalena) ao Lajido de Santa Luzia (São Roque), abrangendo milhares de pequenos currais de vinha.

Estes currais, construídos em pedra, foram erguidos para proteger as videiras do vento e da água do mar, criando uma paisagem rendilhada que, segundo o diretor do Parque Natural da Ilha, é “única no mundo”.

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