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Património e tradição alavancam economia do Sardoal

A aposta na cultura, em espetáculos de teatro, jazz, ópera e bailado, e no património arquitetónico e religioso, com nove templos numa vila plurissecular, tem diferenciado o Sardoal em termos económicos e turísticos na última década.

Um “microclima cultural”, assim carateriza o concelho o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges (PSD), destacando a inauguração do Centro Cultural Gil Vicente, em 2004, um investimento de 4 milhões de euros, como “o grande fator que gerou um impulso na economia local e regional, assumindo-se, desde então, como um polo das Artes e da Cultura na região” do Médio Tejo, onde Sardoal se insere, no distrito de Santarém.

“Estou consciente de que a cultura é um pilar fundamental no crescimento e no desenvolvimento socioeconómicos pelo qual trabalhamos. Apostamos numa cultura de qualidade e diferenciadora, apresentando uma programação que, por um lado, desempenha um importante papel na formação de público e que, por outro lado, contribui para o “enriquecimento” e bem-estar da população”, defende o autarca, de 50 anos.

Os dados estatísticos revelam uma aposta cultural alimentada pela adesão do público. Nos primeiros dez anos de existência, o Centro Cultural Gil Vicente recebeu 102.201 utilizadores em 2.360 iniciativas. Uma média anual superior a 200 eventos num concelho que, em 2011, e de acordo com os últimos censos do Instituto Nacional de Estatística (INE), tinha 3.941 habitantes.

“A história é longa e está enraizada” numa população que, segundo Miguel Borges, o executivo procura proteger do “deserto cultural a que muitas vezes o interior está voltado”, numa estratégia que “assenta numa dinâmica muito própria e que tem conseguido granjear elogios públicos dos municípios vizinhos e dinamizar a economia local”.

O cinema, o teatro, a pintura, a música e a dança são vertentes culturais com presença assídua no equipamento admitido este ano na Rede EUNICE, programa de descentralização da programação do Teatro Nacional Dona Maria II, tendo Miguel Borges destacado os Festivais Sardoal Jazz, os espetáculos da Companhia Nacional de Bailado, a exposição de pintura de Nadir Afonso, o Encontro Internacional de Piano de Sardoal, as artes plásticas ou o cinema.

“Pelo palco e galeria do Centro Cultural têm passado os grandes nomes da arte e cultura do nosso país, começando igualmente a ter a presença de alguns nomes de impacto internacional”, destaca.

As condições do equipamento cultural, que incluem um auditório multimédia com uma plateia de 200 lugares, uma sala multiusos com capacidade para 70 pessoas, camarins, espaço de ensaios, sala de projeção e galeria de exposições, são “motivo de orgulho” para o autarca e professor de Educação Musical do quadro do Agrupamento de Escolas de Sardoal.

Miguel Borges diz, ainda, que o turismo religioso é outro dos instrumentos de valorização estratégico e desenvolvimento de um concelho “detentor de um vasto património natural, cultural, artístico e arquitetónico” e que definiu como um “Património de Fé e Religiosidade”.

“Temos tido a capacidade de otimizar e exponenciar estes recursos, incluindo o Sardoal e, por acréscimo, a região nos roteiros nacionais de Turismo Religioso. As nossas tradições, mais que sentimentos de Fé, são marcas da nossa entidade coletiva”, frisa.

Segundo o autarca, “olhar para o Sardoal de há 30 anos é olhar para uma realidade completamente diferente daquela que se vive hoje”, manifestando a preocupação de promover um desenvolvimento sustentável.

“Atualmente, o nosso plano de desenvolvimento e afirmação assenta nas características que nos diferenciam dos demais porque essas características únicas são um pilar estratégico e gerador de sinergias na promoção do turismo e da economia”, defende Borges.

Segundo o professor e autarca de Sardoal, o desenvolvimento da região do Médio Tejo “passa pelo trabalho conjunto e pela capacidade de gerir os respetivos recursos endógenos, potenciando um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo”.

A principal riqueza de Sardoal “é o património, o Património Humano, são as pessoas, são os sardoalenses, construtores de uma comunidade com séculos de história, de tradição, de cultura, que tão bem têm sabido preservar”, destaca, acrescentando que essa é “a base de afirmação e crescimento” do município.

“Embora sejamos um território de reduzida dimensão, inseridos numa região com aproximadamente 250 mil habitantes, a nossa área territorial e a nossa densidade populacional não nos torna pequenos porque são estas características a base da nossa proximidade. E é dessa proximidade que nasce a nossa grande diferença: defendemos com verdadeiro sentimento a nossa cultura, tradições e património”, conclui Miguel Borges.

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