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Pecuária e ambiente são os pilares da economia de Vimioso

A pecuária e o aproveitamento de recursos ambientais foram “armas” que o isolado concelho de Vimioso, no distrito de Bragança, encontrou nas últimas décadas para sustentar a sua economia.

Com a proliferação da maquinaria em trabalhos agrícolas, os animais já não são os autênticos “escravos” do trabalho de outrora, mas criar bovinos de raça mirandesa, ovinos e caprinos, e os asininos de raça mirandesa, adaptados ao clima e morfologia do território, continua entre as principais fontes de riqueza do concelho.

“Os bois, as vacas, machos e burros ajudaram a agricultura do concelho a crescer, mesmo no tempo em que se cultivava muito trigo. Agora, com os tratores e outras máquinas, as pequenas explorações familiares estão em vias de extinção, abrindo espaço a empresas pecuárias”, reconhece Manuel Miranda, de 82 anos, antigo dirigente da Associação de Produtores de Bovinos de Raça Mirandesa e também da Cooperativa Agropecuária local.

O setor pecuário, refere o também produtor, tem potenciado o interesse de empresários de fora do concelho que, ao longo dos anos, ali se foram instalando, exemplificando com o caso da família Teixeira Duarte.

Na história recente de Vimioso sobressai um investimento de cerca de quatro milhões de euros, efetuado em 2010, que veio mudar “radicalmente” a fileira da carne no concelho, com a instalação na zona industrial da vila de uma unidade transformadora que aproveita todas as partes das carcaças de bovino de raça mirandesa para transformação, comercialização e exportação.

Segundo Nuno Paulo, gestor da unidade, em 2015 foram ali transformadas 327 toneladas de carne de bovino mirandês.

“Este foi o ponto mais alto da produção, desde que começámos a laborar oficialmente em março de 2010. Agora, a palavra de ordem é produzir mais, porque o escamento está garantido”, afiança.

No passado, as carcaças de carne de bovino mirandês abatidas na região tinham de ser levadas num percurso de cerca de 250 quilómetros até ao litoral, onde eram desmanchadas, cortadas e embaladas de forma a satisfazer as necessidades de mercado.

Esta unidade fabril de excelência é, assim, considerada pelos produtores de gado como uma das principais “alavancas” para o desenvolvimento do concelho, tem criado 40 postos de trabalho.

“Essencial” é, entretanto, o emparcelamento, como forma de afirmar a indústria pecuária do concelho e da região no futuro, dando novas oportunidades a jovens agricultores, defende José Rodrigues, que presidiu à Câmara de Vimioso entre 2002 e 2014 e agora é empresário agrícola.

“Tenho tentado, na minha aldeia, demonstrar como se faz a junção das propriedades, uma situação que ainda é um pouco difícil, mas extremamente necessária para o desenvolvimento da agropecuária e do meio ambiente do território”, afirma.

Para o empresário, o Governo terá de tomar medidas em matéria de emparcelamento, senão não será possível conseguir explorações rentáveis, o que pode levar a algum “abandono” da atividade pecuária.

Por outro lado, e no campo ambiental, Vimioso também soube aproveitar os recursos naturais, com a instalação do Parque Ibérico Natureza Turismo e Aventura, que se desenvolve ao longo do rio Angueira.

Este espaço de valorização da natureza foi recentemente candidatado a fundos comunitários, no valor de 200 mil euros.

No campo das águas termais, as Termas da Terronha, a cerca de três quilómetros da vila, são também bastante procuradas, após um sonho que durou mais de 50 anos para a sua construção.

Segundo os responsáveis pela unidade, a lista de espera ronda as 200 pessoas, sendo efetuados uma média de 33 tratamentos por dia.

Para o atual presidente da câmara de Vimioso, Jorge Fidalgo, é preciso conjugar o potencial pecuário, ambiental e cinegético – outro elemento com potencial local -, pois “no concelho há exemplos de sucesso nestas matérias”.

O concelho de Vimioso tem 482 quilómetros quadrados de área com uma população de cerca de 4.660 habitantes, repartidos por dez freguesias, segundos os censos de 2011, sendo essencialmente agrícola.

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