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Penedono apoia-se no passado para desenvolver turismo

O município de Penedono elegeu na última década o turismo como pilar do seu desenvolvimento e procurou ganhar dimensão inspirando-se no passado e apoiando-se na História de Portugal, que marca o concelho do norte do distrito de Viseu.

“O futuro do concelho não está só preso no passado, mas esse passado é muitíssimo importante porque é nele que baseia a nossa própria identidade. Não há dúvidas de que o passado é, para nós, um objetivo turístico”, defende o presidente da Câmara de Penedono, Carlos Esteves.

O Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico de Penedono, com esta estratégia, conheceu a sua versão final em abril de 2007.

Em Penedono, recorda-se a figura de Álvaro Gonçalves Coutinho – ‘O Magriço’ que Camões imortalizou -, e que dá vida a um reino imaginário, em que é recriada uma sociedade medieval da História de Portugal, que tem como centro o castelo.

“Toda esta História de Portugal que nós conseguimos respirar em Penedono, em especial a época de D. João I, que doou esta terra ao valente cavaleiro medieval Álvaro Gonçalves Coutinho, mais conhecido por Magriço, é aproveitada na nossa visão turística. No passado está a nossa identidade histórico-cultural e trabalhamos muito essa temática do passado no setor do turismo”, justifica.

Para impulsionar o turismo apoiado no passado, o Município promove todos os anos a Feira Medieval de Penedono, onde ganham vida nobres, cavaleiros, mercadores, monges, taberneiros e outras personagens de outros tempos.

O evento anual permite uma viagem ao passado, através de recriações históricas, onde se destacam o cortejo inaugural e o cortejo de exortação, a ceia medieval ou o torneio de armas a cavalo, ou ainda a aclamação dos Doze de Inglaterra – cavaleiros lusitanos que defenderam 12 damas inglesas de 12 nobres também ingleses.

De acordo com o autarca, o evento já se realiza há vários anos e, ao longo dos tempos, tem vindo a progredir e a ganhar espaço no calendário nacional de realizações deste género.

“Começou-se com um evento de dois dias, mas de há três anos a esta parte começou a decorrer ao longo de três dias. Temos vindo a sentir que, de uma forma acautelada e ponderada, é um evento que tem uma importância muito grande na economia local e da região, para além de termos conseguido entrar na programação de feiras medievais do nosso país”, sublinha.

A par desta iniciativa, o Município de Penedono criou, em 2010, uma outra que se vem repetindo, inspirada na figura maior do passado do concelho: o Magriço.

“O Mercado do Magriço é uma iniciativa totalmente virada para o empreendedorismo local. O nosso lema para este certame tem sido fomentar o empreendedorismo, apoiando iniciativas locais. Daí ser praticamente feito com agentes económicos de Penedono”, afirma.

Em terra em que o passado serve de pilar ao desenvolvimento turístico, todas as datas históricas significativas “servem de pretexto para dinamizar iniciativas”.

“Temos vindo a procurar encontrar datas que justifiquem esta ou aquela iniciativa. Para o ano estamos a preparar um evento para assinalar os 600 anos [sobre a época]em que o Magriço esteve preso”, revela.

A proprietária da Taberna Costa, situada a cerca de cinco quilómetros do Castelo Medieval de Penedono, não tem dúvidas de que a organização de eventos inspirados no passado acaba por trazer muita gente ao concelho.

“Habitualmente, já somos procurados pelos turistas que gostam de vir visitar o castelo, mas quando decorre a Feira Medieval nota-se logo que há muito mais gente no concelho. Este tipo de iniciativas são uma mais-valia para os comerciantes”, avança Maria Dias.

No negócio há menos de três anos, a proprietária da Taberna Costa revela que foi o facto de sentir que Penedono é um concelho que vive muito do turismo que a levou a abraçar este projeto.

“Temos alguns quartos para alugar e sempre que há eventos ficamos com eles ocupados. Até os particulares vivem deste negócio e vão alugando quartos”, admite.

Opinião semelhante tem Susana Carreira, que trabalha há 11 anos numa das padarias da vila, cujo nome teve o castelo por inspiração.

“Durante o ano temos algum movimento, mas é bem mais calmo do que quando está em curso alguma iniciativa. Os eventos como a Feira Medieval ou quando há o Mercado Magriço servem para atrair pessoas de fora, o que é bom para o negócio”, conclui.

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