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Ponte da Barca quer colher frutos de ser reserva da biosfera

Com mais de metade do território no coração do único parque nacional do país, Ponte da Barca passou, nas últimas décadas, de concelho eminentemente rural a vanguardista no turismo de natureza, colhendo os frutos de ser reserva da biosfera.

A classificação, atribuída em 2009 pela UNESCO, impulsionou o turismo de natureza no Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) e o aparecimento de empresas ligadas aos desportos radicais, conceitos para um público-alvo com grandes preocupações ambientais.

“É natural que as pessoas procurem cada vez mais esta zona e, no caso, o concelho de Ponte da Barca. Não é uma coisa pontual, é o colher dos frutos que foram semeados”, afirma à Lusa Lagido Domingos, o último diretor do PNPG, um parque que é atualmente gerido pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e pela Autoridade Florestal.

O impulso turístico dos últimos anos reflete-se no dia-a-dia da pacata vila do Alto Minho, “com cada vez mais turistas e cada vez mais estrangeiros, desde holandeses, alemães, belgas, franceses e dinamarqueses”.

“São atraídos pelo contacto com a natureza e por atividades de animação desportiva que vão desde as caminhadas, aos trilhos na Serra Amarela, até prática de várias modalidades radicais como o ‘canyoning’ ou o ‘rafting’, passando pelos passeios a cavalo ou de bicicleta”, diz, por seu turno, o presidente da Câmara de Ponte da Barca, Vassalo Abreu, eleito pela primeira vez em 2005.

O socialista que, por limitação de mandatos não vai concorrer às próximas autárquicas, aponta a classificação como reserva da biosfera como responsável pelo “forte empurrão” no turismo de natureza, associado às tradições e produtos locais e à gastronomia.

“Só nos últimos dois anos foram licenciados pela Câmara 58 casas de turismo de habitação e de turismo rural. Abriu um hotel de quatro estrelas e outro de duas estrelas. Temos outro hotel de quatro estrelas em construção e já entrou novo pedido de licenciamento de uma unidade, também de quatro estrelas”, frisa.

Para Lagido Domingos de 63 anos, diretor do PNPG entre 2009 e 2012, esta evolução “era expectável e natural”, fruto do trabalho realizado nas últimas décadas.

“Foi um trabalho de conservação dos valores naturais, em articulação com a população residente e com os próprios baldios. Ao reconhecimento internacional, com a classificação de reserva mundial da biosfera, seguiu-se um grande esforço na promoção e agora tiram-se os proveitos das condições naturais do território”, sublinha.

Constituído a 08 de maio de 1971, o parque nacional, que se estende à Galiza, abrange do lado português cinco concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Braga e Vila Real. Além de Ponte da Barca, integra os municípios de Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre e Terras de Bouro.

Tem mais de 70 mil hectares de área protegida, habitada por oito a nove mil pessoas. Atualmente, o PNPG tem cerca de 240 espécies de fauna vertebrada identificadas no território e 1.100 de flora, além de 500 sítios de interesse histórico e arqueológico.

Da área total, apenas cinco mil hectares pertencem ao Estado, enquanto a maior parte dos terrenos são baldios, o que obriga a um processo de articulação entre comissões locais e a direção do parque.

O maior aglomerado de espigueiros da Península Ibérica situado no Lindoso, o Castelo ou a barragem do Alto-Lindoso são também “importantes polos dinamização turística”. Aliás, a exploração da água e as suas marcas no território têm, para o autarca, “um elevado potencial para aproveitar”. Lembra, a título de exemplo, o projeto do museu da eletricidade, “sonho de décadas”, que está mais perto de ser concretizado para fazer “jus à histórica ligação do concelho ao setor por via das barragens no rio Lima”.

O primeiro passado foi dado este ano com a cedência à autarquia, pela EDP e Agência Portuguesa do Ambiente (APA), da gestão da central hidroelétrica de Paradamonte, “um ícone da arqueologia industrial de Portugal” que a Câmara tenciona valorizar transformando-a em mais um polo de atração turística.

“A realidade é que hoje Ponte da Barca anda na boca de toda a gente”, refere o autarca de 66 anos que quer ver o concelho atingir o patamar de “destino turístico de excelência”.

A dinamização turística e promoção dos recursos endógenos dos cinco concelhos que integram a área protegida estão a cargo da Adere-Peneda Gerês. A administradora delegada da Associação de Desenvolvimento de Desenvolvimento Regional, Sónia Almeida sublinha a “enorme evolução que, de ano para ano, o setor turístico vai conhecendo sobretudo ao nível da qualidade”.

“A evolução dos fundos comunitários potenciou o aproveitamento turístico, não só na área do alojamento como da animação turística”, reconhece.

Há cerca de duas décadas naquela estrutura, Sónia Almeida refere que Ponte da Barca “sempre foi um concelho procurado pelo turista”, sobretudo por integrar o PNPG, mas adianta que “nunca com o grau de exigência que existe hoje”.

“Hoje, é um território muito apetecível para os turistas que apreciam qualidade e contacto com a natureza”, defende, garantindo que “ainda há nichos de mercado que é possível potenciar e explorar”.

O PNPG conta com cinco portas de entrada e receção de visitantes, em Lamas de Mouro (Melgaço), Mezio (Arcos de Valdevez), Lindoso (Ponte da Barca), Campo do Gerês (Terras de Bouro) e Paradela (Montalegre), cada uma com a sua temática específica.

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