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Ponte de Sor vira-se para a aeronáutica após tempos “dramáticos” com fecho da Delphi

Ponte de Sor encara hoje o futuro com trabalho na aeronáutica, depois de tempos “dramáticos” terem “sobrevoado” os céus da cidade, em 2009, com o encerramento de uma fábrica que arrastou para o desemprego 430 operários.

A Delphi, que produzia apoios, volantes e “airbags” para vários modelos de veículos automóveis, funcionou em Ponte de Sor durante 29 anos e era considerada umas das grandes unidades fabris do distrito de Portalegre, empregando 2,5% da população do concelho.

Desde sempre trabalhador da Delphi, Nelson Freitas, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás (SINQUIFA), recorda os tempos “conturbados” vividos quando a fábrica fechou portas, porque a maioria dos operários “não tinha idade” para se reformar.

“A maioria dos trabalhadores tinha entre 40 e 50 anos. Passados estes anos todos, alguns conseguiram emprego, outros aceitaram reformas de 300 euros e uma pequena parte, os mais novos, arranjaram trabalho nos supermercados da cidade”, diz à agência Lusa.

O antigo dirigente sindical lembra que o encerramento da Delphi, que chegou a empregar “mais de 600 pessoas”, foi uma “grande machadada” na vida de muitas famílias, uma vez que os trabalhadores auferiam, na altura, ordenados “acima da média” praticada na região.

Na sequência do encerramento da fábrica, a 31 de dezembro de 2009, alegadamente devido ao facto de os produtos fabricados na unidade terem deixado de ser estratégicos, sindicatos e administração acordaram uma indemnização no valor de 2,3 salários por cada ano de trabalho.

“Do ponto de vista económico, foi mais uma facada no já de si muito frágil tecido empresarial da região”, assinala à Lusa o presidente do Núcleo Empresarial da Região de Portalegre (NERPOR), Jorge Pais.

Para o dirigente associativo, o encerramento da Delphi representou um “choque enorme”, que teve “grande impacto” em termos sociais e económicos.

Sete anos depois, Ponte de Sor, que também vive da cortiça e dos setores da agroindústria e agroflorestal, passou a fixar os olhos na aeronáutica, indústria em expansão no aeródromo municipal, construído há mais de uma década.

Além da sede dos meios aéreos da Proteção Civil, o aeródromo municipal de Ponte de Sor, que tem uma pista de aviação com 1.850 metros, alberga uma empresa de manutenção de aviões ultraleves e o Aeroclube de Portugal com a vertente dos planadores.

O aeródromo acolhe também empresas de componentes e de manutenção aeronáutica, uma escola internacional de pilotos de aviação, “num total de 200 postos de trabalho”, diz à agência Lusa o presidente do município, Hugo Hilário, que prevê a criação de mais uma centena de empregos até ao final de 2016.

Em junho deste ano, foi também aberto um Campus Aeronáutico, num investimento de 4,2 ME, que está equipado com salas de aula multidisciplinares e alojamento (mais de 160 quartos) para os alunos.

O objetivo do campus passa por servir as entidades e empresas sediadas no aeródromo, bem como escolas superiores que assinaram protocolos com o município, como as universidades de Évora e da Beira Interior, o Instituto Superior de Educação e Ciência de Lisboa e os politécnicos de Portalegre, Castelo Branco e de Setúbal.

“Ao longo dos anos, a Câmara tem conseguido debilitar ao máximo os efeitos do encerramento da Delphi”, acentua o autarca, reconhecendo que diversas áreas económicas, incluindo também a social, têm contribuído para a criação de emprego no concelho.

Hugo Hilário diz esperar que o aeródromo municipal possa atingir, até ao final deste ano, “cerca de 300 postos de trabalho”, com o reforço da aeronáutica, um dos setores que “canaliza mais energias” por parte do município.

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