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Portas do Mar, “obra de luxo” que transformou Ponta Delgada

Do supermercado onde trabalha, Maria Ponte, 32 anos, tem vista privilegiada sobre o empreendimento Portas do Mar, uma “obra de luxo” que viu crescer aos poucos e que “transformou” a cidade de Ponta Delgada, nos Açores.

“Assisti à transformação da cidade. Estava aqui a trabalhar e lembro-me que era um entra e sai de camiões e muito pó. O trânsito chegava a estar interrompido devido às obras”, afirma à Lusa Maria Ponte, funcionária do estabelecimento situado na marginal, paredes meias com as Portas do Mar, inauguradas a 05 de julho de 2008, pelo então presidente do Governo Regional, o socialista Carlos César.

Oito anos após a inauguração, Maria Ponte classifica ainda o empreendimento como “uma obra muito importante para a cidade”.

“Isto não tinha nada aqui, eram muros e mar. Quando estava mau tempo, o mar quase galgava a terra. Agora é uma maravilha a nossa cidade. Isto agora é outra coisa”, diz Maria da Luz Martins, 73 anos.

Esta septuagenária admite que “não frequenta muito” os espaços de diversão das Portas do Mar, porque entende que “são coisas para jovens”, mas de uma coisa tem a certeza: “Esta obra é um luxo, isto agora é outra coisa”.

Já o jovem André Carvalho, 16 anos, garante ser “frequentador assíduo das Portas”, que considera ser “o espaço ideal para a juventude”.

Promovida pelo Governo Regional dos Açores, a obra, que recebeu financiamentos comunitários, visou a requalificação da frente marítima de Ponta Delgada, numa estratégia para intensificar a ligação da maior cidade açoriana com o mar.

O empreendimento integra um espaço multiusos (Pavilhão do Mar), com uma área de cerca de quatro mil metros quadrados, uma nova marina (450 lugares) e uma gare marítima.

O complexo das Portas do Mar, da autoria do arquiteto Manuel Salgado, inclui também zonas comerciais e restaurantes, espaços de lazer, piscina pública, parques de estacionamento subterrâneo e um jardim com dez mil metros quadrados ao longo do passeio marítimo.

A obra foi adjudicada por cerca de 46,5 milhões de euros, mas segundo o Tribunal de Contas o custo total do investimento atingiu os 69,7 milhões de euros.

Para o presidente da Associação de Empresários das Portas do Mar, Vicente Quiroga, este é um empreendimento que “tem futuro”, após terem sido registadas quebras nos negócios nos últimos anos devido à crise.

“Estamos com grandes expectativas para 2016. Estamos a notar uma diferença com a chegada de mais turistas. As coisas melhoraram”, frisa o empresário, afiançando que hoje “voltaria a apostar” num negócio na infraestrutura.

No dia da inauguração, uma multidão esteve na marginal, onde ouviu o então presidente do Governo açoriano enaltecer um empreendimento de “alto valor reprodutivo”.

Na ocasião, Carlos César assegurou que não se tratou de uma obra de exibição, nem de esbanjamento de dinheiro.

Ana Ledo, 34 anos, funcionária de uma loja de artesanato nas Portas do Mar, recorda hoje não ter prestado “muita atenção à cerimónia de inauguração”, porque estava também a ultimar os pormenores do espaço comercial, mas disse que foi um dia “muito importante”.

“A cidade ganhou nova vida com a abertura das Portas do Mar”, afirma, lembrando que os festejos da inauguração incluíram fogo- de-artifício e um espetáculo multimédia, com ecrãs de água instalados dentro da marina.

As Portas do Mar chegaram a ser distinguidas pelo Turismo de Portugal, na modalidade “Novo Projeto Público”, como um dos investimentos que mais contribuíram para o desenvolvimento do setor no país em 2009.

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