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Porto, a afirmação cosmopolita com o impulso de Fernando Gomes

O Metro, a Via de Cintura Interna (VCI), a Capital da Cultura e o Património Mundial transformaram o Porto dos últimos 30 anos, dando-lhe um cariz cosmopolita e vibrante, capaz de atrair turismo e uma nova vivência da Baixa.

Foi com projetos como estes que o concelho deu um “salto de qualidade e notoriedade que ainda hoje faz sentir os seus efeitos”, diz o geógrafo Rio Fernandes, chamando a atenção para a figura “incontornável” desta nova cidade: Fernando Gomes, presidente da Câmara do Porto entre 1989 e 1999.

Em 1986, não havia o Parque da Cidade (1993) o Museu de Serralves (1999), o teatro Municipal do Rivoli (1996), a Casa da Música (2005), o Estádio do Dragão (2003), a ponte do Freixo (1995) ou a de S. João (1991), e Fernando Gomes ergueu a voz da cidade e do Norte para concretizar uma “visão de futuro”, sobretudo quando foi preciso dar o peito às balas pelo projeto do metro, que todos diziam ser impossível sair do papel.

Para Orlando Gaspar, presidente da concelhia do PS/Porto durante 15 anos (até 2003) e vereador de Gomes, tratou-se de “um período áureo para a cidade e para a região”, uma “autêntica revolução” que deixou a cidade “no mapa”.

O metro do Porto foi, para Gaspar, a “grande obra pública no país” e uma prova da “coragem, tenacidade e amor à região” de Fernando Gomes.

“Conciliava vontades, fazia pontes. A política também é uma arte, de sedução e de negociação”, resume.

Fernando Gomes, por sua vez, destaca as vantagens de ter sido simultaneamente autarca e deputado europeu (Portugal entrou na Comunidade Económica Europeia em 1986).

“Tinha os meus contactos ao nível da Comissão Europeia, tinha o meu lóbi montado para conseguir algumas coisas que ainda não estavam tão partilhadas como hoje. Havia o pacote Delors dos fundos comunitários, que foi a primeira cornucópia de dinheiro para os países menos desenvolvidos”, recorda.

O metro foi fruto desse lóbi, assume o ex-autarca, sem esquecer a “total e absoluta hostilidade do Governo” de Cavaco Silva em relação ao projeto.

A Junta Metropolitana do Porto aprovou os estatutos da empresa gestora da construção do metro em 1993 e a primeira das atuais seis linhas foi inaugurada em 2002.

Também a VCI “revolucionou muito a dimensão do Porto”, ligando o concelho a territórios onde antes “era difícil chegar” e dotando-o de “articulação intermunicipal”, recorda Rio Fernandes.

A maior parte das obras da VCI decorreu entre 1992 e 1995 e obrigou a um avultado investimento municipal em túneis e ligações à rodovia. Gomes chegou a anunciar para 1993 um investimento municipal em obras e melhoramentos de infraestruturas viárias de mais de 100 milhões de euros.

Relativamente ao Porto Património Mundial (distinção atribuída ao centro histórico pela Unesco em 1996), o geógrafo considera que “contribuiu para a divulgação da cidade e da marca Porto, associada ao vinho e ao desporto”, uma área em que a cidade começou a projetar-se internacionalmente com a vitória do Futebol Clube do Porto na final da Taça dos Campeões Europeus de 1987, já com Pinto da Costa na presidência do clube.

Depois, “com as obras de requalificação urbana da Porto 2001, a Baixa recuperou a centralidade”, nota Rio Fernandes.

“Os passeios largos, o estacionamento regulado, as ruas com árvores, tudo isso teve um efeito notável no conforto do espaço público. A atual noite do Porto e o uso da cidade de forma mais prolongada foi fruto deste reganhar do centro, que talvez seja a maior transformação do Porto nos últimos tempos”, observa.

Manuela de Melo, vereadora da Cultura de Fernando Gomes, recorda que a intenção da Capital da Cultura “era marcar o início do século e do milénio, rasgando o marasmo da cidade e lançando-a num futuro mais radioso”.

“Claro que a ideia só tinha pés para andar se o presidente da Câmara abraçasse a ideia. Foram anos absolutamente fascinantes. Fernando Gomes tinha uma visão de futuro e modernidade muito grande e imbuía a equipa desse espírito”, salienta.

Manuel Maria Carrilho, então ministro da Cultura, foi outro dos mentores da classificação. Em declarações à Lusa, considera que o evento “representou um grande salto do Porto”.

“Pretendia-se o lançamento do Porto como a segunda grande cidade de cultura em termos europeus e penso que há boas raízes no Porto para se fazerem muitas coisas”, sublinha.

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