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Póvoa de Varzim lança as redes à pesca de mais turismo

Há mais de dois séculos que a pesca e o turismo têm sido referências identitárias da Póvoa de Varzim, concelho do Norte do país com pouco mais de 60 mil habitantes que tem sabido fazer do “filão” do mar o pilar do seu desenvolvimento.

Conhecida por, juntamente com a cidade vizinha de Vila do Conde, acolher a maior comunidade de pesca artesanal de Portugal, a cidade lançou âncoras, nos últimos 30 anos, na atividade turística, afirmando-se como uma das grandes estâncias balneares da região Norte.

A estratégia seguida pelos responsáveis políticos do município acabou por atenuar um evidente declínio do setor piscatório nas últimas décadas na economia local, cujos principais sintomas apontam para uma falta de investimento no porto de pesca local por parte do Estado, de forma a dotá-lo de competitividade e atratividade.

“Se tivéssemos melhores condições físicas naquele que já foi um dos portos de pesca de referência do país, o abrandamento que temos vindo a sentir talvez não fosse tão acentuado”, observa o presidente da Câmara Municipal, Aires Pereira.

O autarca lembra que problemas como o constante assoreamento da estrutura levam a que “muitos pescadores tenham receio de entrar e sair na barra da Póvoa para descarregar o seu pescado”, acabando por redefinir a rota para outros portos.

“Infelizmente, muitas das embarcações evitam de entrar na nossa barra, pois os pescadores não sabem quando o vão conseguir fazer em segurança ou quando poderão sair”, lamenta.

Detetadas as contrariedades num setor que, ainda assim, mantém a sua preponderância, os responsáveis poveiros decidiram aproveitar as características balneares do seu território, transformando o turismo numa das grandes “molas” da atividade económica local.

“Fomos estruturando a cidade com um processo de requalificação urbanística, privilegiando as áreas pedonais junto à praia e apostando em equipamentos como a marina, casino, campo de golfe, pavilhão municipal e piscinas olímpicas”, explica o presidente da Câmara.

Com isso, Aires Pereira diz ter conseguido ampliar a oferta turística e “dinamizar cidade ao longo de todo o ano, com vários eventos, que não só fortalecem a atratividade de visitantes dos concelhos vizinhos, mas também cativam turistas estrangeiros”.

Além de pretender que o mar, através de requalificação do porto e uma expansão da marina, seja uma porta de entrada na cidade para mais visitantes, o autarca quer o seu quinhão nos cerca de nove milhões de turistas que aterram anualmente no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, para visitar o Grande Porto.

“Com a ligação de metro ao Porto em menos de uma hora, a nossa afirmação de destino de sol e mar e as boas unidades hoteleiras no concelho, estamos qualificados para receber parte desses turistas que visitam a região Norte”, vinca.

Aires Pereira diz acreditar que o trabalho estrutural está feito, apenas lamentando que haja algo que não esteja ao alcance de qualquer plano político ou estratégico. “Se pudéssemos aquecer a água do nosso mar e livrar-nos do vento norte e dos nevoeiros de verão seria perfeito…”, brinca.

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