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Praia com ondas a 80 quilómetros do mar mudou vida de Castanheira de Pera

A Praia das Rocas, inaugurada em 2005, mudou a vida do pequeno município de Castanheira de Pera, no norte do distrito de Leiria, que duplica a sua população nos meses de verão graças às ondas artificiais deste complexo turístico.

A inauguração da Praia das Rocas, um complexo que custou cerca de cinco milhões de euros, “foi um momento de viragem” para Castanheira de Pera, afirma o presidente da Câmara, Fernando Lopes, considerando que este espaço levou a autarquia a olhar para o turismo como um dos caminhos “para o desenvolvimento da região e do município”.

Num concelho com apenas 3.000 habitantes, uma única freguesia e que perdeu “empregos, indústria e pessoas” face ao fecho da maior parte das fábricas que faziam de Castanheira um dos polos industriais de lanifícios do país, a Praia das Rocas “mudou o paradigma de desenvolvimento do concelho”, aponta.

Em pouco mais de dez anos de atividade, a Praia das Rocas já ultrapassou a marca de um milhão de visitantes e em 2015 registou 83.863 entradas entre junho e agosto, superando o recorde de 2009.

Durante os meses de verão, a população de Castanheira “duplica e, por vezes, triplica, o que é complicado, mas muito agradável. Vê-se outra vida na vila”, sublinha.

Este complexo “surpreendeu até os mais otimistas, porque conseguiu ser um fenómeno de atratividade para o interior”.

Apesar de o turismo não poder ser olhado como “uma panaceia” que vem resolver todos os males deste território, este setor tem de ser encarado como “uma boa parte do caminho” que Castanheira tem de fazer no futuro.

Segundo Fernando Lopes, a Praia das Rocas não secou tudo à volta, sendo que todo o curso da Ribeira de Pera, que abastece este complexo, “ganhou mais vida”, atraindo também visitantes para a praia fluvial do Poço Corga e para as aldeias do município inseridas na zona sul da Serra da Lousã.

Como “a procura tem sido bastante superior à oferta” das unidades hoteleiras do município, não é só Castanheira de Pera que beneficia com a Praia das Rocas, mas também “concelhos vizinhos”, afirma.

“Somos banhados por uma multidão que vem de diferentes partes do país, mais a norte do que a sul, e isso tem um impacto muito grande para um concelho pequeno”, observa José Pais, administrador da Prazilândia, empresa municipal que gere o complexo.

Sem a Praia das Rocas, Castanheira “seria mais pobre” e o caminho em torno da potencialização do turismo “seria mais lento”, aponta o administrador, realçando que o complexo ajudou “a criar um ritmo e uma visibilidade maior” quer para o município, quer para os concelhos vizinhos.

“Quem vem à Praia das Rocas frequenta também as praias fluviais e as aldeias de xisto” à volta, salienta, afirmando que o grande desafio do futuro passa por criar produtos para turismo de época baixa, para deixar de ser um fenómeno dos meses de verão.

Para José Pais, “há muito caminho a percorrer” para tornar Castanheira numa vila “mais turística, com mais produtos e mais complementaridade de serviços”, mas “dez anos não é suficiente”.

No entanto, a Praia das Rocas ajudou “a afinar e a definir melhor a identidade” do concelho e tudo “se mexe mais rápido e melhor” desde que esta surgiu há dez anos.

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