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Praia de Mira é a única no mundo com 30 anos de Bandeira Azul

O ano de 2016 foi de festa para o concelho de Mira, que viu a sua principal praia tornar-se na única zona balnear do mundo galardoada durante 30 anos consecutivos com a Bandeira Azul.

A Praia de Mira conquistou a primeira Bandeira Azul em 1987, ano em que foi criado o galardão ambiental da Fundação para a Educação Ambiental, que distingue a qualidade das praias, e ao longo dos anos acabou por tornar-se numa referência mundial.

O presidente da Câmara de Mira, Raul Almeida reconhece que “o sentimento de dever cumprido só não é completo por causa da situação da Barrinha”, a lagoa que começou por dar fama à praia e que nas últimas décadas está ameaçada pela invasão de plantas aquáticas, sobretudo jacintos de água.

Manuel Oliveira, morador no Bairro dos Pescadores, ainda se recorda de outros tempos: “Eu sei que é difícil acreditar, mas quando era mais novo andei aqui pela Barrinha a fazer pesca submarina e mandei muitos mergulhos da prancha de madeira”, conta, apontando para as águas paradas da lagoa.

À primeira vista, a terra parece ter crescido Barrinha adentro, mas basta firmar o olhar para perceber que aquilo que parece ser vegetação e terra firme não passam de um tapete denso de jacintos de água, entrelaçados em cachos de centenas de metros.

Originários da América do Sul, os jacintos de água foram introduzidos em Portugal como plantas ornamentais em meados dos anos 30 do século passado, e rapidamente se transformaram numa ameaça séria para o ecossistema de rios e lagoas.

Estas plantas invasoras criam uma espécie de tapete flutuante que muitas vezes cobre totalmente a superfície da água, o que faz com que a luz incidente seja reduzida, diminuindo assim a qualidade da vida aquática e levando, na maioria dos casos, à eutrofização, ou seja, à diminuição do oxigénio dissolvido na água, o que causa a morte de animais e plantas.

No caso da Barrinha de Mira, a invasão de plantas aquáticas terá acontecido através das valas de alimentação da lagoa, e nos últimos 30 anos praticamente acabou com os banhos dos turistas e com os desportos náuticos.

A Câmara de Mira, em articulação com o Programa Polis da Ria de Aveiro, tem levado a cabo ao longo dos anos diversos estudos de avaliação, que resultaram em ações de limpeza da Barrinha que diminuíram o impacto do problema, mas não o resolveram.

Raul Almeida promete voltar a atacar o problema, mas desta vez com uma nova estratégia.

Para além de contar investir um milhão e duzentos mil euros em ações de dragagem da Barrinha, a autarquia firmou um protocolo de cooperação com a nova Associação Ecológica da Videira Sul (AECO), constituída em agosto de 2015, e integrada sobretudo por moradores da zona lagunar.

Com o apoio de máquinas e funcionários da autarquia, os membros da AECO têm usado tratores para puxar para terra grandes quantidades de plantas, que são agrupadas por voluntários que entram a pé nas águas da Barrinha, ou usam barcas construídas de propósito nos estaleiros do Seixo de Mira.

“Temos feito limpezas aos sábados, mas vamos intensificar os nossos esforços nos próximos meses, quando a temperatura da água deixar de ser tão fria”, conta à Lusa um representante da AECO.

Raul Almeida acredita que estas ações serão decisivas para “devolver a Barrinha aos veraneantes”, recuperando os tempos em que a Lagoa era o centro da vida social na Praia de Mira.

“A Câmara está a fazer a sua parte”, relata o autarca, lembrando que nos últimos anos foi aberto um circuito pedonal devidamente assinalado que circunda a Barrinha, tendo sido colocados bancos de madeira, abrigos para observação de pássaros e aparelhos para a prática desportiva.

Na zona da praia, a Câmara investiu também na limpeza do areal, na qualidade dos estabelecimentos de apoio e avançou com um projeto para substituir os tradicionais contentores de lixo por ilhas ecológicas, mais seguras e menos agressivas para a paisagem.

A Avenida Marginal da praia foi também prolongada para sul, na direção do Parque de Campismo, onde nasceu um conjunto de bungalows de madeira junto ao Lago do Mar, que hoje são o novo ex-libris da praia.

Em 30 anos, a Praia tornou-se na referência principal do concelho, tendo-se aí instalado duas unidades hoteleiras de média dimensão, três parques de campismo e, numa zona mais a sul, uma unidade industrial que surge como a segunda maior empregadora do concelho.

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