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Produtora de vinho, Santa Marta de Penaguião procura contrapeso no Marão e na EN2

Concelho produtor de vinho do Porto, Santa Marta de Penaguião procurou alternativas no turismo, através dos projetos da Serra do Marão e da Estrada Nacional 2 (EN2), para atrair mais investimento e estancar o despovoamento.

“Estes projetos querem ser um contrapeso do papel que o vinho tem na economia local”, afirma à agência Lusa o presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião, Luís Machado.

Implantado em plena Região Demarcada do Douro (RDD), este é um dos concelhos do país com mais área percentual ocupada por vinha. A maioria da população tem na produção de vinho, com destaque para o vinho do Porto, a sua principal fonte de receita.

No entanto, em Santa Marta de Penaguião subsistem duas realidades distintas: a dos novos produtores e engarrafadores e a da adega cooperativa e seus associados.

Enquanto as dificuldades financeiras da cooperativa se refletem nos pequenos e médios viticultores que ali deixam as suas uvas, os novos projetos de produtores e engarrafadores estão a apostar na qualidade dos vinhos e a conquistar medalhas e distinções a nível nacional e internacional.

Luís Machado diz que a maioria destes novos projetos se concretizou na última década e trouxe uma nova realidade para o concelho duriense.

“Temos também jovens que estão a recuperar as propriedades que eram dos seus avós e bisavós e estão no mercado com vinhos de qualidade. Investem no concelho e garantem-nos um futuro, porque estão a desenvolver uma atividade de qualidade”, salienta o autarca.

A família Nogueira, que possui a Quinta da Pitarrela, em Santa Marta de Penaguião, saiu da cooperativa em 2007 e, em 2010, construiu uma adega e lançou no mercado a marca própria “Espelda”, que é uma homenagem à avó, sócia-fundadora da empresa.

O projeto junta oito familiares diretos de três gerações. Edgar Nogueira Guedes, 40 anos, disse à agência Lusa que a empresa possui diferentes unidades de produção na Região Demarcada do Douro e produz cerca de 20 a 25 mil litros por ano, principalmente de vinho tinto.

O objetivo, segundo o viticultor, é aumentar a produção própria de vinho e “dar os primeiros passos para a exportação”.

Para contrabalançar o peso do vinho, o município avançou com dois projetos que visam atrair mais turistas a este território, ajudar a criar oportunidades de negócio e atrair mais investimento para este concelho do distrito de Vila Real.

O Marão que os separou é agora o Marão que une os concelhos de Amarante, Baião, Mesão Frio, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vila Real, que veem a serra como uma oportunidade para o turismo e onde estão a concretizar projetos de reflorestação e apostar em outras culturas, como a castanha.

Em Tabuadelo, Hermínia Rebelo, com 61 anos, já teve uma mercearia e um café, a primeira está fechada e o café vai abrindo à noite quando há gente. Tem também uma cozinha regional que abre quando tem marcações.

Hermínia queixa-se de que a emigração levou muita gente da terra. “Era uma aldeia com muita gente, muita gente. Mantive uma mercearia durante 20 anos porque havia muita gente. Os velhos foram morrendo e os novos tiveram de emigrar”, conta.

Agora, salienta, “espera-se é pelos turistas”.

Turistas que também se querem atrair através da rota da EN2, a estrada mais extensa do país, que liga Chaves a Faro ao longo de 738,5 quilómetros e quer ser conhecida como a “Route 66” portuguesa.

“Queremos proporcionar aos turistas do Douro oportunidades diferentes, de contactarem com a natureza nas duas realidades: a vinha e a serra. Queremos que os nossos visitantes usufruam do Douro com tempo e com proximidade”, frisa o autarca.

Luís Machado admite que já é visível a atração de investimento e refere que existem dois projetos, um hotel com 48 camas na Cumieira e um parque de campismo e caravanismo no lugar do Viso, que acredita que estarão em construção já em 2017.

A Câmara de Santa Marta de Penaguião colocou também à venda os lotes da zona industrial ao preço simbólico de um euro por metro quadrado.

O autarca assegura, ainda, que, em Santa Marta de Penaguião, a “prioridade são as pessoas” e, por isso, a Câmara tem implementado vários apoios sociais aos mais carenciados, entre os quais destaca o programa medicamentos, a entrega de fraldas aos acamados e as pequenas reparações nas habitações degradadas.

O município está também a transformar antigas escolas primárias em habitações sociais para as famílias mais necessitadas do concelho.

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