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PSA é o “coração” do desenvolvimento económico de Mangualde

A PSA de Mangualde produziu nos últimos 30 anos cerca de um milhão de veículos e teve em média mil postos de trabalho, levando a que seja considerada o “coração” do desenvolvimento económico do concelho.

Nestes 30 anos, que são também os 30 anos de Mangualde como cidade, a PSA – Peugeot Citroën não só criou emprego, como atraiu outras empresas.

“Se não existisse em Mangualde, o concelho não tinha tanta pujança industrial, porque empregou muita gente, desenvolveu económica e socialmente o concelho, mas também atraiu muito investimento privado que produziu mais empregos”, diz à agência Lusa o presidente da Câmara de Mangualde, João Azevedo.

A decisão de criar uma fábrica em Mangualde foi tomada em setembro de 1962, em Paris. A produção começou em fevereiro de 1964, tendo o carismático 2CV sido o primeiro veículo aí construído.

Elísio Oliveira trabalha há precisamente 30 anos na PSA de Mangualde e não tem dúvidas de que, neste período, este centro de produção foi “o principal motor de desenvolvimento do concelho”.

Além de ter produzido cerca de um milhão de veículos e empregado, em média, mil pessoas, “alcançou a décima posição no ranking nacional das empresas exportadoras e atingiu níveis de competitividade e qualidade de topo no mercado”, refere o diretor.

“Atraiu várias empresas para a região”, realça, acrescentando que, devido à sua dimensão e boas práticas, “impactou fortemente o concelho”.

Segundo Elísio Oliveira, “centenas de milhares de horas de formação técnica e industrial foram ministradas aos seus colaboradores”.

“Transformou sociologicamente muita gente do campo em operários de cultura industrial e proporcionou a muitos contacto com fábricas estrangeiras”, refere.

O responsável conta que a PSA de Mangualde, além de ter colaborado com o Instituto de Emprego e Formação Profissional e com escolas profissionais da região através da dotação de material e apoios para melhorar as condições de formação (como carros, motores e caixas de velocidade), proporcionou centenas de estágios a jovens e “afirmou-se como uma instituição com grande sentido de responsabilidade social”.

A doação de uma ambulância aos Bombeiros Voluntários de Mangualde e de duas carrinhas de transporte de deficientes ao Complexo Paroquial e Santa Casa da Misericórdia, a instalação de um parque infantil no jardim central da cidade e a atribuição de apoios financeiros a instituições do concelho são alguns exemplos.

O presidente da autarquia, João Azevedo, reconhece o importante papel da PSA não só a nível económico, mas também da “coesão territorial e social” e na criação de ícones para o concelho.

“A Citroën tem aqui dois ícones mundiais que representam Mangualde: o 2CV e o DS (Boca de Sapo)”, frisa, acrescentando que foram colocadas obras de artes alusivas aos dois modelos em duas rotundas da cidade.

João Azevedo admite que o centro de produção “teve momentos bons e momentos maus, houve momentos em que teve de terminar com alguns processos industriais”, o que implicou menos gente na sua produção.

“No nosso período fizemos tudo para que a Citroën se mantivesse. A partir do momento em que percebeu que desenvolvemos projetos de segurança, de aparcamento e de desenvolvimento industrial deu-nos sinais claros de que ficaria aqui”, frisa.

Elísio Oliveira explica que “os anos de maior risco de sobrevivência foram, e continuarão a ser, os anos de fim de ciclo de vida dos veículos que estão a ser produzidos em cada momento e da consequente mudança de modelo”.

“Os anos de risco verdadeiramente letal foram os anos de 2008/2009, em que, em consequência da crise do ‘subprime’, o mercado automóvel europeu caiu fortemente de 18 milhões para 13 milhões de veículos, tendo por consequência uma subutilização generalizada das fábricas”, refere.

Segundo este responsável, “sobravam fábricas” e “foi necessária muita coragem e determinação e um enfoque estratégico assertivo para garantir a continuidade da empresa”.

“Nos anos seguintes, marcados também pela crise das dívidas soberanas, os mercados foram bastante voláteis, tendo a empresa respondido com grande flexibilidade, alternando regimes de dois turnos e três turnos com as perturbações que sempre caracterizam estas situações”, acrescenta.

A PSA de Mangualde está atualmente a trabalhar em dois turnos, “fazendo 220 veículos por dia, 50.000 por ano, faturando cerca de 400 milhões de euros e empregando 750 colaboradores”.

“Tem hoje boas perspetivas de futuro, com o ganho do novo modelo a partir de 2018 e o inerente projeto de investimento de cerca de 50 milhões de euros para transformação e inovação tecnológica”, sublinha.

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