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Queijadas de Vila Franca do Campo promovem concelho açoriano

Originárias da doçaria conventual, as queijadas de Vila Franca do Campo, nos Açores, iguaria confecionada com base numa receita secular por apenas duas famílias, têm levado o nome do concelho pelo mundo nas últimas décadas.

Foram as freiras do Convento de Santo André que, nos finais do século XVIII, começaram a confecionar estas queijadas, cuja receita e técnicas são, atualmente, um segredo de duas famílias locais.

Adelino Morgado, natural de Vila Franca do Campo, orgulha-se de ser membro de uma das famílias que guarda “a sete chaves” este segredo, garantindo que os turistas vão a Vila Franca por causa do “ilhéu e das queijadas”.

“É o ex-líbris da vila. Tem sido uma mais-valia para o concelho. Há pessoas que tentam fazer em casa e não conseguem, porque não têm essas técnicas”, afirma o empresário, proprietário de uma fábrica que produz por semana cerca de 15 mil queijadas.

Adelino Morgado lidera este negócio que herdou dos pais, uma pequena indústria que “foi crescendo e hoje emprega 11 pessoas”.

“Peguei no negócio e já tenho uma filha a trabalhar comigo. No tempo do meu pai a produção rondava as 500 queijadas por semana”, diz.

As queijadas da família Morgado foram registadas em 1961 e são “as mais antigas laboradas em trabalho contínuo”.

Com um currículo “invejável” de prémios nacionais e internacionais, Adelino Morgado garante que “o maior segredo” desta iguaria “é o leite posteriormente transformado em queijo”.

“Isto sempre foi guardado pelas freiras e, depois, umas senhoras que iam aprender a bordar e a tocar piano no convento é que trouxeram as queijadas cá para fora”, conta.

O negócio cresceu nos últimos anos, também em parte devido ao incremento verificado no turismo com a chegada das companhias aéreas de baixo custo à ilha de São Miguel.

“Noventa por cento do que produzimos segue para o estrangeiro, nomeadamente Estados Unidos da América e Canadá, e para o continente. Só 10% do que produzimos é que consumimos cá”, revela o proprietário da fábrica de queijadas Morgado.

Na família Câmara, o fabrico de queijadas, “embora com alguns interregnos”, deve-se ao bisavô do atual fabricante, Baltazar Rui da Câmara Carvalho.

“Isto aqui trabalha-se é com as mãos. Não há máquinas. É tudo feito como se fazia há cem anos. As queijadas da Vila estão na minha família desde finais do século XIX”, adianta à Lusa o fabricante.

Foi depois pelas mãos do avô, por volta de 1920, que estas queijadas começaram a ser comercializadas.

“Depois passou para a minha mãe e para a minha tia. E agora sou eu”, sublinha, admitindo, com orgulho, que nasceu com as queijadas, uma tradição que também quer manter na família.

A este propósito refere que a mulher herdou da sogra a técnica de produção artesanal das queijadas de Vila Franca.

Os concelhos de Vila Franca e Ponta Delgada chegaram a ser fornecidos por queijadas da família Câmara, recordou, adiantando que, por semana, são confecionadas “entre 500 a 600, mas apenas por encomenda”.

“Eu não exporto queijadas, não tenho capacidade, os nossos emigrantes é que as levam e os turistas continentais”, declara, avançando que há 12 anos chegou a mandar uma encomenda para o Japão.

Baltazar Câmara não tem dúvidas ao afirmar que “as queijadas têm dado nome à vila” e garante que não se dispensa de saborear uma por dia.

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