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Reabertura do Ramal da Lousã exigida nos 20 anos da Metro Mondego

Seis anos de avanços e recuos, com protestos de populações e a espaços aplausos, marcam a recente história do ramal ferroviário da Lousã, fechado desde 2010 e quando já se completam os 20 anos da sociedade Metro Mondego (MM).

As primeiras iniciativas dos utentes contra as más condições de transporte nas antigas automotoras, entre Coimbra a Serpins (Lousã), foram realizadas em 2000.

Autarcas e movimentos cívicos continuam a exigir a reabertura do Ramal da Lousã e renovam a esperança numa solução de mobilidade para a região, enquanto os cidadãos têm de viajar de autocarro pelos caminhos perigosos da montanha, no distrito de Coimbra.

Em 2001, foi criada a Comissão de Utentes do Ramal da Lousã, cuja luta endureceu devido ao arrastamento do processo que visava instalar um sistema de metro na ferrovia e na cidade de Coimbra, à degradação do serviço e ao receio de encerramento da linha.

Outros movimentos surgiram depois, ora para reclamar a modernização e eletrificação do Ramal da Lousã em modo ferroviário convencional, ora para apoiar e defender uma solução de metro que nunca chegou a sair do papel, sucedendo-se os plenários de cidadãos, sessões públicas diversas e manifestações, tanto na região como em Lisboa.

A linha foi encerrada em janeiro de 2010, um mês após ter começado o seu desmantelamento, a que se seguiram obras avultadas que foram suspensas pouco depois por razões financeiras.

Desde a criação da MM, em 1996, esta empresa de capitais públicos, sempre com o Estado em maioria, teve diferentes composições acionistas, realizou estudos e lançou diversos concursos públicos que ficaram sem efeito.

“O balanço destes 20 anos é extremamente negativo”, diz à agência Lusa o presidente da Câmara de Miranda do Corvo, Miguel Baptista, considerando que este concelho “foi o mais prejudicado (…) devido às incertezas do projeto e ao encerramento da linha”.

O autarca reclama do executivo de António Costa “uma clarificação rápida” do processo, que passe “preferencialmente por uma solução ferroviária”.

Após “quatro anos de impasse total, surgem sinais que levam a crer que o Governo irá finalmente avançar com uma solução”, acrescenta.

O Orçamento do Estado (OE) para 2016 “prevê uma verba de 2,1 milhões de euros” para o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), salienta, por sua vez, o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado.

O SMM é um compromisso “que tem de ser cumprido” para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida das pessoas, afirma à Lusa o também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

“Seria desejável que já tivéssemos o serviço a funcionar”, diz o homólogo da Lousã, Luís Antunes, ao lamentar “um passado que defraudou as expectativas”.

O SMM “tem de ser visto como um todo”, mas dando prioridade à reabilitação do ramal, em cujas obras já foram gastos entre 120 e 150 milhões de euros.

Os 2,1 milhões de euros incluídos no OE são um dos “sinais do Governo” para retomar o projeto, ainda que a verba seja “claramente insuficiente”, refere Luís Antunes, presidente da assembleia geral da MM.

“Este processo deve ser o pior exemplo de irresponsabilidade política em Portugal”, critica o porta-voz do Movimento Cívico de Lousã e Miranda do Corvo, Jaime Ramos, que defende a reposição do “transporte público de passageiros sobre carris”, de preferência de tração elétrica.

Neste momento, “é fundamental que as câmaras, o Governo e os partidos que o suportam se entendam e executem a obra, aproveitando o dinheiro da União Europeia”, diz o antigo deputado do PSD.

“Vamos continuar a luta até que os comboios voltem a circular”, promete, por seu turno, Álvaro Francisco, do Movimento de Defesa do Ramal da Lousã.

Em fevereiro, com a abstenção dos deputados do PS, a Assembleia da República aprovou um projeto de resolução do PCP para “reposição, modernização e eletrificação” da linha.

A existência da MM “não faz sentido nenhum”. A CP pode prestar um serviço a “custos muito mais reduzidos”, defende Pedro Curvelo, do movimento Lousã pelo Ramal.

“O balanço da gestão da MM é zero. Só gastou dinheiro mal gasto com um projeto que era inviável”, acusa o ex-vereador do PSD na Câmara da Lousã.

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