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Regresso às vinhas despertou setor adormecido em Lagoa

Após anos de abandono dos campos devido ao desenvolvimento turístico-imobiliário, o concelho de Lagoa reposicionou-se nas últimas décadas na produção de vinho e contribuiu para a afirmação da marca Vinhos do Algarve, premiados dentro e fora do país.

Detentora de uma das quatro Denominações de Origem algarvias, Lagoa viu a sua Adega Cooperativa resistir às dificuldades que levaram ao fecho das congéneres de Lagos, Portimão e Tavira a partir da década de 1980 e isso permitiu que, na viragem do século, o setor cooperativo desse lugar ao setor privado, voltando a dinamizar a produção, explica o presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve.

“A partir dos anos 1980, com o crescimento do Turismo, o desenvolvimento da parte urbanística e o abandono dos campos, houve também um abandono da viticultura, os terrenos foram ocupados por aldeamentos, houve um abandono da vinha e foi aí que começou o declínio. Encerrou Tavira, Portimão e depois Lagos, restou apenas a de Lagoa, a única Adega Cooperativa do Algarve que existe e continua a laborar”, afirma Carlos Gracias.

Este responsável contextualizou que, também nessa altura, “houve uma transferência do setor cooperativo para o setor privado” e isso permitiu que, na última década, “duplicasse praticamente o número de produtores” a fazer vinho certificado no Algarve.

“Até 2010 existiam cerca de 15 produtores, que foram os pioneiros da região. A partir de 2010 esse número duplicou para cerca de 30 produtores e são aqueles que temos inscritos na Comissão e que fazem a produção de vinho certificado”, frisa.

No ano 2000, segundo o presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve, o acesso a programas europeus de incentivo à “reconversão e à plantação de vinha” permitiu “reconverter cerca de 400 a 500 hectares de vinha, com novas tipologias, com rega, novas castas, e foi esse ‘upgrade’ que levou à melhoria substancial quer a matéria-prima, quer do vinho”.

“Os resultados não aparecem de repente, os produtores foram-se instalando, a tecnologia do vinho tem vindo a evoluir e isso trouxe-nos cerca de 175 referências de vinho já na região, com 30 produtores. Todos os anos, de uma forma consistente nos últimos cinco anos, temos 40 a 50 referências de vinhos premiados em concursos nacionais e internacionais, o que por si só prima e acaba por comprovar a enorme qualidade dos vinhos da região”, destaca Carlos Gracias.

Luís Encarnação, vereador da Câmara de Lagoa com o pelouro do Desenvolvimento Económico, salienta a importância que “este desenvolvimento e renascimento do vinho” teve “para o concelho e de uma forma geral para todo o Algarve”, trazendo “valor económico, mas, sobretudo, tornando-se num instrumento muito importante de promoção do território”.

“Sobretudo para nós, como município de Lagoa, aquilo que olhamos com particular interesse é, precisamente, esta possibilidade que temos de, através dos vinhos, que é um produto que está na moda e é um verdadeiro embaixador de Portugal, podermos promover os nossos territórios, promover Lagoa e o Algarve, enquanto destinos turísticos de excelência”, explica.

O objetivo é “aproveitar o vinho para lançar a semente do enoturismo”, mas o “regresso ao cultivo da vinha obriga a que seja necessário contratar enólogos, pessoal para trabalhar nos campos” ou a “criação de cursos técnico-profissionais de enologia” numa escola de Lagoa, admitiu, numa referência à importância do próprio setor na economia local.

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