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Restaurantes tornaram Sopa da Pedra referência incontornável de Almeirim

A fama começou nos anos de 1960, mas foi nas últimas décadas que a Sopa da Pedra se tornou marca incontornável de Almeirim, fazendo da cidade ponto de paragem obrigatório para quem atravessa o país de Norte a Sul.

É na zona que circunda a praça de touros que se situam mais de uma dezena dos muitos restaurantes que fazem da gastronomia um dos principais motores económicos do concelho e que proporcionam um “sítio único no país com uma oferta de um prato específico numa área tão concentrada, de tal forma que se pode estacionar e tranquilamente procurar a pé o restaurante para comer”.

Para Pedro Miguel Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Almeirim, esta é hoje “claramente das marcas mais importantes, senão a mais importante, que o concelho tem”.

O “salto” na elevação da qualidade e no reconhecimento do que inicialmente foi uma aposta exclusiva de empresários da restauração aconteceu com o envolvimento da autarquia e com a criação da Confraria Gastronómica de Almeirim, iniciativa de “gente muito jovem” recebida com alguma desconfiança, mas que tem vindo a fazer um trabalho “notável”, destaca.

O sucesso deste prato – que traz “agarrada” a si a lenda do frade que, apenas com uma pedra, consegue obter ingredientes para uma sopa “farta” – deve-se ao facto de ser feito com produtos de qualidade – “é comida muito boa, de que as pessoas gostam” – e de manter uma relação qualidade/preço/rapidez de serviço “única”, realça o autarca.

Hélia Costa assumiu em 1996 o que no início foi uma mercearia/taberna que os pais começaram a explorar na década de 1960 e que se tornou num dos restaurantes de referência de Almeirim, o “Toucinho”, com perto de 20 empregados, número que cresce aos fins de semana.

“Hoje são quase 40 restaurantes que dão uma grande ajuda ao comércio tradicional”, reconhece, em declarações à agência Lusa no dia em que o seu restaurante acolheu o almoço que contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, para assinalar a descida da taxa de IVA na restauração e que foi visto como um reconhecimento da importância de Almeirim no setor.

Contrariamente aos receios manifestados aquando da construção da A13 (que desde 2005 liga a Marateca a Almeirim), esta via veio a tornar-se “altamente positiva”, acabando por trazer à restauração do concelho grande parte dos que viajam entre o Algarve e o Norte do país, que fazem aqui paragem obrigatória.

“O 15 de agosto é o dia com mais gente no ano em Almeirim”, diz Pedro Ribeiro à Lusa, sublinhando que esse fluxo se faz sentir o ano inteiro, procurando o município promover outros pratos, como as famosas enguias de Benfica do Ribatejo.

O crescimento do setor – estima-se que só na zona da praça de touros sejam servidas um milhão de refeições por ano – tem um impacto não só no emprego – além dos funcionários há muitos jovens e empregados de outros setores que encontram um complemento no trabalho ao fim de semana -, como nos produtores e estabelecimentos (nomeadamente talhos) da região.

“São toneladas de produtos compradas diariamente”, frisa o autarca, que destaca à Lusa o trabalho desenvolvido nos últimos anos e que, entre outras iniciativas, permitiu colocar nos restaurantes de Almeirim o vinho “de excelente qualidade” produzido tanto na cooperativa local como nas casas agrícolas do concelho.

Foi também iniciativa do município a realização de ações de formação e a introdução de vestuário que permitiram melhorar a qualidade do serviço nos restaurantes, bem como o incentivo à criação de uma cooperativa para a produção dos enchidos para a Sopa da Pedra, que contou com financiamento comunitário.

Carlos Galão, dirigente da Encherim, Centro de Corte e Fabrico de Enchidos Tradicionais, criada em 2007, faz um balanço positivo desta aposta do anterior presidente da Câmara, José Sousa Gomes (entretanto falecido), mas considera que “podia ser muito melhor” se houvesse menos individualismo em produtores e empresários.

Dos mais de 20 cooperadores iniciais, a Encherim conta atualmente com uma dezena e apenas meia dúzia dos melhores restaurantes compra um produto que Hélia Costa, uma das clientes que se abastece exclusivamente junto da cooperativa, afirma resultar de uma “receita de consenso” obtida a partir das várias maneiras de fazer tradicional e cumprindo “todas as regras”.

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