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Restauro dos órgãos históricos únicos no mundo dinamizou Mafra

O restauro do conjunto, único no mundo, dos seis órgãos históricos do Palácio Nacional de Mafra, concluído em 2010, revitalizou a vida cultural e levou mais turistas a visitar o monumento e a vila.

Em 2010, os órgãos tocaram pela primeira vez em conjunto ao fim de 200 anos e a curiosidade de ouvir sonoridades e composições escritas para aqueles instrumentos, e que permaneciam desconhecidas, contribuiu para o início de um ciclo anual de concertos que, desde 2011, contam com mais de 40 mil pessoas na assistência.

Os órgãos, “por serem um equipamento cultural único e patrimonialmente importante para nos ajudar a compreender aspetos da pompa barroca, potenciaram uma das singularidades do monumento e, assim, fizeram atrair um público específico, quer nacional quer estrangeiro”, afirma à agência Lusa Mário Pereira, diretor do palácio.

Os números falam por si, segundo o responsável. Dados da Direção-Geral do Património Cultural apontam para um aumento de 235 mil em 2012 para mais de 300 mil visitantes em 2015.

Além de o público poder ouvir a sonoridade do conjunto dos seis órgãos, os concertos permitem também divulgar composições escritas de propósito há 200 anos, a pedido do rei D. João V, para serem tocadas naqueles instrumentos.

Toda a economia local ganha com esta dinâmica. “Nos dias de concerto, há muita gente que vem almoçar a Mafra, passa o fim de semana na Ericeira e, depois do concerto, vai lanchar às pastelarias da vila”, refere o presidente da Câmara, Hélder Sousa Silva.

Para ajudar a potenciar o investimento, “Mafra decidiu também aderir à Rede Europeia de Cidades com Órgãos Históricos, o que permitiu projetar Mafra a nível europeu”, lembra o autarca, justificando a projeção do concelho e revelando que, em 2017, a vila acolhe o encontro anual da Rede, uma oportunidade para ouvir os seis órgãos a serem tocados por organistas internacionais.

Além de outras iniciativas que gravitam em torno da música, o município e o Ministério da Cultura lançaram o Prémio Internacional de Composição, para estimular o aparecimento de novas composições para serem tocadas por aqueles instrumentos. “Quisemos aumentar a diversidade das partituras que são tocadas nos concertos e aumentar a atratividade aos concertos”, diz.

Dinarte Machado, mestre responsável pelo restauro dos órgãos de Mafra, acrescenta que o restauro feito alterou o modo de olhar para o património nacional da organaria portuguesa. “Depois de se assistir a um concerto em Mafra, as pessoas são levadas a valorizar os órgãos que têm espalhados pelas suas terras e a ir aos concertos”, frisa.

O restauro, que durou mais de uma década e custou 1,2 milhões de euros, continua a ser encarado como de inegável importância pelo estado de degradação a que tinham chegado e, logo em 2012, foi distinguido com o prémio europeu Europa Nostra.

Dinarte Machado classificou o trabalho como uma “experiência única” na sua carreira, por se tratar de seis órgãos que formam o único conjunto no mundo e pelos desafios que o restauro acabou por ter.

No final da década de 1990, o mestre organeiro deparou-se com órgãos em mau estado de conservação e sobre os quais pouco se sabia em termos de técnicas de construção que remontam ao século XVIII.

O restauro incidiu sobre apenas cinco órgãos, visto que a construção do sexto não foi terminada no século XVIII, existindo peças suas dispersas pelo palácio, o que obrigou o mestre organeiro não só a montá-lo, como também a reconstruir a tubaria.

“O órgão de São Pedro de Alcântara foi a chave para o conhecimento dos outros cinco”, explica.

Esperando que a reabilitação dos sinos e carrilhões do palácio, cujo concurso público está em fase de seleção de propostas, autarquia, Palácio e Ministério da Cultura esperam que Mafra ganhe outro novo impulso em 2017, data em que voltam a tocar.

A 17 de novembro de 2017, o monumento celebra os 300 anos sobre o lançamento da sua primeira pedra, estando a ser preparado um programa que vai arrancar este ano.

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