Fechar
Abrir

Retoma da exploração mineira criou “nova esperança” e mil empregos em Aljustrel

A retoma da exploração das minas alentejanas de Aljustrel, em 2009, é “um marco histórico” para o concelho, porque “abriu nova janela de esperança”, atraiu um investimento de 185 milhões de euros e criou mais de mil empregos.

Trata-se de “um marco histórico”, porque, ao permitir “explorar a grande riqueza do concelho”, os recursos mineiros, “abriu uma nova janela de esperança e criou desenvolvimento económico, emprego e condições para fixar população”, diz à agência Lusa o presidente da Câmara de Aljustrel, Nelson Brito.

“Somos um povo mineiro e a reabertura das minas veio ao encontro do que a população ambicionava”, acrescenta, frisando que “o ‘coração’ e a vida socioeconómica” de Aljustrel, no distrito de Beja, “têm um pulsar totalmente diferente com as minas a funcionar”.

Nos últimos anos de crise, Aljustrel “tem vivido um pouco em contramão, isto é, tem tido menos dificuldades do que outros concelhos, fruto da atividade das minas, onde trabalham mais de mil pessoas”, lembra, sublinhando: “Os horizontes de esperança que se abriram com a retoma da atividade das minas estão, atualmente, consolidados”.

Para o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), Jacinto Anacleto, a retoma da exploração das minas “foi muito reivindicada e bastante importante e uma mais-valia, porque veio criar emprego e dinamizar a economia regional”.

Embora, como lamenta o sindicalista em declarações à Lusa, “haja algumas lacunas a nível laboral, nomeadamente precariedade, atropelos à legislação laboral, baixos salários e questões de segurança”, as quais provocaram “alguns acidentes de trabalho” no complexo, sendo que dois levaram à morte de dois trabalhadores, um em setembro de 2010 e outro em maio de 2015.

O grupo I’M Minning já investiu 185 milhões de euros nas minas de Aljustrel, entre 2009 e final de 2015 e após ter comprado, em 2008, a empresa concessionária do complexo, na altura designada Pirites Alentejanas e atualmente Almina.

Segundo a Almina, desde a retoma da extração, em maio de 2010, e até final de 2015, o grupo extraiu cerca de oito milhões de toneladas de minério de cobre das minas, que foram todos exportados e traduziram-se em “438 milhões de euros de vendas”.

Atualmente, nas minas trabalham 1.116 pessoas, sendo 676 através de duas empresas do grupo I’M Minning, a Almina (350) e a Empresa de Perfuração e Desenvolvimento Mineiro (326), e 440 através de prestadores de serviços e subcontratados.

As minas de Aljustrel são exploradas desde a época romana, mas a mineração industrial só começou a ser impulsionada no século XIX e a primeira concessão foi atribuída em 1845, quando foi aberto o primeiro poço de extração e construído o primeiro bairro mineiro no concelho.

A concessão das minas foi adquirida em 1898 e mantida até 1973 por um consórcio belga e nacionalizada em 1975.

Segundo o STIM, a laboração nas minas foi suspensa em 1993, por alegada falta de viabilidade económica provocada pela descida acentuada do preço do zinco, e a concessionária entrou em “lay-off”, despediu 440 trabalhadores e manteve apenas 47, que asseguraram os serviços mínimos ambientais e de manutenção.

O Governo encomendou em 1999 estudos para aferir a viabilidade das minas, desenvolvidos pela empresa canadiana Eurozinc, que comprou a Pirites Alentejanas em dezembro de 2001 com a promessa de retomar a extração.

Em 2006, a Eurozinc fundiu-se com a empresa sueca Lundin Mining, originado o grupo sueco-canadiano Lundin Mining, que, em maio daquele ano, retomou a atividade nas minas de Aljustrel, após 13 anos parada, com o início dos trabalhos preparatórios para a retoma da exploração.

Através do Lundin Mining, a exploração das minas foi retomada em 2008, com o arranque da extração de minério, em janeiro, e da produção comercial de concentrado de zinco, em abril, o que, segundo o STIM, chegou a dar trabalho a “cerca de mil” pessoas, entre trabalhadores da concessionária e de empresas subcontratadas.

Devido à baixa do preço do zinco, a atividade foi suspensa em novembro de 2008 no complexo mineiro, que ficou em situação de manutenção das instalações, e a concessionária manteve apenas 103 trabalhadores.

Em dezembro de 2008, o Lundin Mining vendeu a empresa concessionária das minas ao I’M Minning, que retomou a atividade no complexo em junho de 2009, através de trabalhos de desenvolvimento mineiro, e a extração de minério e a produção de concentrado de cobre em maio de 2010.

Voltar atrás