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Ribeira Brava continua a lutar contra abandono trazido pela Via Rápida

O concelho da Ribeira Brava, na zona oeste da Madeira, ainda hoje luta contra os efeitos da abertura, há cerca de uma década, da Via Rápida, que remeteu a localidade ao esquecimento, depois de ter sido local de paragem obrigatória.

“A Via Rápida é um ponto forte em termos de deslocação na ilha, porque antes os ribeira-bravenses estavam a uma hora e meia do Funchal e agora estão apenas a 15 minutos. Mas, por outro lado, desviou os viajantes da localidade”, diz à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal, o social-democrata Ricardo Nascimento.

As autoridades municipais têm, no entanto, apostado na criação de infraestruturas e na dinamização de eventos como forma de “atrair e chamar” pessoas ao concelho, onde se destaca o Encontro Regional de Bandas Filarmónicas, a Noite do Mercado, na época de Natal, o rali nas zonas altas e, sobretudo, o arraial de São Pedro, em junho, que é um dos maiores da Região Autónoma da Madeira.

“Nesse aspeto, a Via Rápida facilita, porque num instante se vem à Ribeira Brava. Estamos a 15 minutos do Funchal, da Calheta [extremo oeste]e de São Vicente [no norte]. Estamos no centro”, realça Ricardo Nascimento.

Quando a Via Rápida Funchal/Ribeira Brava (20 quilómetros), entrou em pleno funcionamento, em 1997, a atividade comercial no município mergulhou numa crise, nomeadamente os pequenos estabelecimentos situados ao longo da antiga estrada regional e na vila sede do concelho.

O trânsito, que antes cruzava por inteiro as freguesias do Campanário e da Ribeira Brava (duas das quatro que constituem o concelho, juntamente com Serra de Água e Tabua), foi canalizado para a nova infraestrutura rodoviária, remetendo as localidades ao esquecimento. O mesmo aconteceu com a vila, que era um ponto de paragem obrigatório.

“Em 2015, iniciámos a realização da Feira do Petisco e das Sandes, para reavivar o antigo hábito que as pessoas tinham de parar na Ribeira Brava para comer qualquer coisa antes de seguir viagem”, conta o presidente da Câmara Municipal, sublinhando, uma vez mais, o enfoque que a autarquia coloca na promoção de eventos.

O concelho da Ribeira Brava foi fundado em 06 de maio de 1914, num processo protagonizado pelo visconde Francisco Correia de Herédia, sendo o mais recente dos 11 que constituem a região autónoma.

O município tem 13.375 habitantes (Censos 2011), cerca de metade da população que possuía nos anos 50 do século passado, e a principal atividade económica é a agricultura, mas o turismo também começa a ganhar expressão.

“Temos um plano em mãos para o turismo, que consiste em georreferenciar todas as veredas e depois recuperá-las, bem como alguns miradouros”, afirma Ricardo Nascimento, salientado que, atualmente, decorrem trabalhos em três desses caminhos no valor de 190 mil euros.

O Museu Etnográfico da Madeira, localizado na vila da Ribeira Brava, constitui também um chamariz para turistas e locais, e, por outro lado, surgiu agora a intenção do Governo Regional de estimular a instalação no concelho de empresas na área das novas tecnologias.

O executivo madeirense, liderado por Miguel Albuquerque, pretende que a vila seja conhecida por “Brava Valley”, numa alusão a Silicon Valley, nos Estados Unidos, criando para o efeito um sistema de incentivos fiscais a empresas tecnológicas, sendo que ali já se encontra implantada a ACIN – iCloud Solutions.

“Ainda há muito por fazer e a iniciativa privada tem de pensar em dar também passos em frente”, salienta o presidente da Câmara, vincando que os encargos relacionados com dinâmica do concelho não podem recair apenas no setor público, até porque a autarquia está a braços com a necessidade de equilibrar as finanças.

“Recebi a Câmara com uma dívida que era três vezes a receita. Era uma dívida de 15 milhões de euros e neste momento é de 6,4 milhões, para uma receita mensal de 350 mil euros”, explica o autarca.

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