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Rio Maior, da agropecuária familiar à aposta no ensino superior e no desporto

Há 30 anos, com a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, as perspetivas não eram animadoras para Rio Maior, concelho que vivia da agropecuária familiar e viu no ensino superior ligado ao desporto uma aposta de futuro.

“Até aí geria-se o problema do momento. Não havia a tradição de perspetivar para o futuro”, recorda Silvino Sequeira, o socialista que presidiu durante 24 anos (de 1985 a 2009) à Câmara Municipal de Rio Maior, quando questionado pela Lusa sobre a aposta num setor sem qualquer tradição num concelho com uma economia assente nas pequenas suiniculturas e em escassas empresas de dimensão, como as Caves Teodósio, a Nobre ou a Basmaior.

“Percebi que quem tinha apostado no ensino superior tinha tido êxito” e a ligação ao mundo desportivo (sportinguista “de coração”, é membro do Conselho Leonino) “deu-me a perceção, que passou a convencimento, de que esta era uma área não aproveitada pelo ensino politécnico”, conta.

Perante o ceticismo dos então responsáveis da Secretaria de Estado do Desporto e do Instituto Politécnico de Santarém, o município, “paulatinamente, iniciou a construção de infraestruturas para viabilizar esse objetivo”.

Um trabalho que não foi bem visto localmente: “As primeiras palavras foram de crítica. Era uma população conservadora que vivia da agricultura tradicional”, recorda, realçando que foi num vereador do PSD (marido da atual presidente da Câmara, entretanto falecido) que encontrou “apoio incondicional”.

As instalações desportivas, que incluíram uma piscina olímpica (de 50 metros), que começou por ser de água salgada – “o sal vinha das salinas [de Rio Maior]e era guardado nas cubas das Caves D. Teodósio, de onde era levada a água salgada para a piscina” – e acabou por ser coberta e alterada para permitir a realização de provas de pólo aquático, foram determinantes para a aprovação, em 1997, da Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM).

“Durante anos e anos andámos de mochila às costas”, recorda Silvino Sequeira, aludindo aos vários espaços por onde passou a ESDRM até à “criação das condições políticas” (aprovação de contrapartidas pela não construção do aeroporto na Ota) que permitiram a construção da escola (2011-2013), uma obra de “18 milhões de euros”, que contou com fundos comunitários.

Hoje “tem a importância que tem. Numa cidade pequena, com 12.000 habitantes, haver mil alunos, são 300 a 400.000 euros por mês na economia local. Compensa o investimento do município”, um reconhecimento que a população acabou por ter “mais ‘à posteriori’”, sobretudo pela “dinamização do mercado de arrendamento em tempos de crise”, frisa.

“E há ainda que referir o rejuvenescimento, o aspeto cultural, o surgimento de massa crítica, a dinâmica no comércio”, aspetos que compensam as queixas sobre o “barulho”, sobretudo em altura de praxes.

“Não era preciso uma bola de cristal para prever a deslocalização e o encerramento de empresas. Daí a opção pelo ensino superior”, diz, salientando ainda a aposta no ensino profissional virado para as necessidades do empresariado local, a abertura da primeira Área de Localização Económica do país e o retorno para o município e as freguesias da instalação das torres eólicas.

A atual equipa autárquica, liderada pela social-democrata Isaura Morais, reconhece a “notoriedade e prestígio” alcançados pelo Complexo Desportivo de Rio Maior e a “promoção do concelho associado à excelência desportiva e de alta competição”.

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