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Ruas Floridas de Redondo cativam meio milhão de turistas

As tradicionais Ruas Floridas da vila de Redondo, cuja origem remonta ao século XIX, são hoje uma das principais manifestações culturais do Alentejo, com impacto na economia regional, no turismo e na participação popular.

“É o maior evento, com regularidade bienal, que se faz no Alentejo e, diria até mais, no sul do país, que traz a esta região cerca de 500 mil pessoas”, atraídas pela ornamentação das ruas com flores, figuras e outros motivos em papel colorido, garante à agência Lusa o presidente da Câmara, António Recto.

O autarca não tem dúvidas de que as festas, retomadas há 22 anos, têm “impacto na economia, não só do concelho, mas de toda a região do Alentejo e até da Estremadura” espanhola, com proveitos para vários setores, como a restauração e o alojamento.

“Temos 500 mil visitantes, é a nossa estimativa. Se houver um gasto médio de três euros por pessoa, estamos a falar de 1,5 milhões de euros que ficam na região”, afirma, considerando que este “é um valor baixo”, porque, no geral, “as pessoas consomem mais”.

António Recto diz que o retorno económico do certame “é sete ou oito vezes superior aos gastos diretos da autarquia” na iniciativa, vincando que o “maior valor não quantitativo” está na participação popular.

Segundo o autarca, a preparação das Ruas Floridas ocupa a população de Redondo, no distrito de Évora, durante vários meses e “obriga” os restaurantes e as unidades de alojamento a contratarem mais funcionários durante os nove dias de festa, em agosto, devido à afluência de visitantes.

Registos escritos mais antigos indicam que a ornamentação das ruas já se realizava em 1838, mas foi interrompida na década de 40 do século passado, supostamente por causa da instalação da luz elétrica na vila e com a “deslumbrante” iluminação das ruas.

Depois de um longo interregno, as tradicionais festas populares da vila foram retomadas em 1994, por Alfredo Barroso, então presidente da Câmara e atual presidente da Assembleia Municipal, passando a ter caráter bienal em 1998.

“Só pode haver Ruas Floridas se as pessoas quiserem, não é se a Câmara quiser”, realça à Lusa Alfredo Barroso, considerando que o município “pode comprar o papel, a cola e todos os materiais”, mas, “se as pessoas não estiverem motivadas, não se podem fazer”.

O antigo presidente do município diz que as festas foram lançadas há 22 anos para retomar uma tradição e “colocar o Redondo no mapa” em termos turísticos, mas, ao mesmo tempo, com “a perspetiva de ter reflexos do ponto de vista económico e social”.

“Além dos 500 mil visitantes, há o aspeto social” do evento, assinala, observando “o convívio que existe entre a população”, em que, durante meses, depois do trabalho, as pessoas se juntam na preparação das ornamentações.

Alfredo Barroso mostra-se otimista com o futuro das festas, congratulando-se por, nos últimos anos, ter surgido “uma fornada de malta nova” a participar ativamente nas Ruas Floridas, que lhe “dá garantias de continuidade”.

Funcionária do município, Luísa Calapez diz à Lusa que acompanha há muitos anos a preparação das festas, devido às suas funções na Câmara, mas que só há cerca de uma década começou a fazer flores, por apreciar o trabalho da população.

“De ano para ano, as pessoas querem mostrar sempre melhor e fazer trabalhos com mais pormenores” para que “elogiem a sua rua”, conta, referindo que existe também uma “competição saudável” entre a população para mostrar que “a sua rua é melhor que a dos outros”.

A próxima edição das Ruas Floridas está marcada para agosto de 2017, mas, por estes dias, “já há pessoas a fazer elementos decorativos”, revela Luísa Calapez, explicando que cada rua apresenta um tema diferente, escolhido livremente pelos moradores, que o mantêm em segredo até ao dia da saída do programa.

“Cada rua tem um tema e esse tema é explorado não só com flores mas também com objetos feitos com papel, como vestidos. É até onde vai a imaginação das pessoas”, adianta, indicando que o processo arranca com uma reunião de vizinhos e a entrega do projeto no município.

Em 2017, desvenda, as Ruas Floridas deverão ter cerca de 40 ruas ornamentadas, tal como em 2015, num trabalho voluntário de criatividade e imaginação que envolve “cerca de 500 pessoas”, além de “toneladas de papel” e outros materiais, que a autarquia adquire.

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