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Santana Lopes recolocou a Figueira da Foz no mapa

Os quatro anos de mandato de Pedro Santana Lopes à frente da autarquia da Figueira da Foz, entre 1998 e 2001, fizeram com que o município fosse falado como nunca a nível nacional, admitem apoiantes e críticos.

Santana Lopes, pelo PSD, venceu as eleições autárquicas de 1997 na Figueira com quase 60% dos votos, pondo fim a mais de 20 anos de poder socialista, e cumpriu um mandato marcado por diversas obras e aquisições de património, mas também por algumas polémicas e críticas a despesismo.

“Acima de tudo, o mandato de Pedro Santana Lopes tinha um projeto e um sonho, que é o que falta hoje em dia. Pôs a Figueira não num mapa, mas em vários mapas: no mapa político, no mapa turístico, no mapa do investimento, no mapa cultural”, diz à agência Lusa Miguel Almeida, antigo vereador de Santana Lopes e atual opositor ao executivo socialista.

Miguel Almeida sustenta que a principal obra do mandato do ex-primeiro-ministro e atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa “não é física, é imaterial”.

“Devolveu às pessoas o orgulho de serem figueirenses”, afirma.

Carlos Beja, o socialista derrotado por Santana nessas eleições, concorda que o autarca “devolveu alguma autoestima momentânea à Figueira da Foz” e que o mandato resultou “num período de euforia”.

“Os balanços fazem-se de coisas positivas e negativas. Há quem diga que não ficou obra estrutural no concelho, mas temos de ser rigorosos: ficou o Centro de Artes e Espetáculos [CAE, inaugurado em 2002 e que foi batizado com o nome de Santana Lopes], ficaram as piscinas nas freguesias, a ETAR da zona urbana. Mas a Figueira da Foz também foi uma janela de oportunidade, um ponto de passagem para outros voos”, argumenta Carlos Beja, numa alusão à candidatura à Câmara de Lisboa, que Santana Lopes veio a vencer em 2001.

Já Miguel Almeida assinala que Santana Lopes teve a preocupação “de pensar o concelho da Figueira da Foz como um todo” e que o investimento que fosse feito na área urbana do município de cerca de 65 mil habitantes fosse equivalente ao realizado nas freguesias rurais.

Fora da cidade, nasceram seis piscinas públicas, investiu-se em campos de jogos, no saneamento, em habitação social e “muito dinheiro a asfaltar quase o concelho todo”.

Passou a haver espetáculos e concertos também nas freguesias, embora o grosso da animação estivesse reservado para os meses de verão, na cidade. Foram criadas várias empresas municipais, uma das quais, a Figueira Grande Turismo [já extinta], passou a ser responsável pela promoção do município, no país e no estrangeiro.

Miguel Almeida elenca um rol de outras decisões: a reformulação da entrada da cidade, a obra da esplanada Silva Guimarães, “varanda” em frente ao mar, a piscina-mar – fronteira à praia, que passou para a posse do município, foi requalificada e aberta ao público -, a zona industrial, cuja gestão estava na mão de um privado e que também passou para a alçada da Câmara Municipal, a aquisição de património como a quinta das Olaias, no centro da cidade, anexa ao CAE, o Paço de Maiorca – que chegou a receber atividades culturais naquela freguesia rural, mas cuja reconversão em hotel, decidida anos mais tarde, resultou num imbróglio jurídico ainda sem resolução – ou o convento de Seiça, que permanece em estado de degradação e abandono.

Aponta também a requalificação das escolas primárias, que há 16 anos, em 2000, “ainda tinham mapas com as colónias portuguesas, não tinham telefone e o aquecimento era a lenha. Foi uma revolução”.

Entre os reveses do mandato, o destaque vai para um campo de golfe inserido num aldeamento turístico de cerca de 100 hectares, junto à Lagoa da Vela, nas matas nacionais da freguesia do Bom Sucesso.

“O golfe não foi para a frente por culpa do engenheiro Sócrates [então ministro do Ambiente], que inventou um lince e uns charcos que tinham de ser preservados”, acusa Miguel Almeida.

No final do mandato, a dívida camarária ascendia, segundo o vereador do PSD, a 18 milhões de euros, a que se juntavam cerca de 10 milhões necessários para pagar a construção do Centro de Artes e a intervenção na esplanada Silva Guimarães – oito anos depois era de 69 milhões.

Carlos Beja, que cumpriu ano e meio de mandato na oposição a Santana Lopes, recorda que os tempos “eram outros” e os municípios podiam endividar-se, o que não acontece hoje, em que a autarquia da Figueira está sujeita ao cumprimento de um Plano de Saneamento Financeiro.

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