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Sátão reclama há 20 anos melhor acessibilidade a Viseu

A população e a autarquia do concelho de Sátão reclamam, há cerca de 20 anos, por uma melhor ligação à capital de distrito mas, apesar das promessas de sucessivos governos, as dificuldades mantêm-se: pouca fluidez e perigosidade.

“Há quase 20 anos que reclamamos por uma obra que permita que a viagem entre o Sátão e Viseu seja mais rápida e menos perigosa. É urgente que se avance com uma solução”, afirma o presidente da Câmara do Sátão, Alexandre Vaz.

Em declarações à Lusa, o autarca recorda que os últimos governos apontaram soluções para uma melhor ligação rodoviária à capital de distrito, chegando a ser projetada uma nova variante quando José Sócrates era primeiro-ministro.

Com a mudança para o Governo PSD/CDS-PP, liderado por Passos Coelho, “a construção da nova variante caiu” e “foi assinado um protocolo” entre a empresa Estradas de Portugal (atual Infraestruturas de Portugal), Governo e os municípios de Sátão e Viseu, com o objetivo de requalificar a Estrada Nacional (EN) 229.

“Pouco depois deste Governo de António Costa ter tomado posse, dirigi-me a Lisboa” para falar com o secretário Estado responsável pela tutela, “a quem deixei este protocolo que tinha sido assinado. Entretanto já reunimos com a Infraestruturas de Portugal, mas continuamos sem uma solução”, afirma.

O município decidiu aguardar até maio por novidades sobre esta matéria, no entanto, “se não chegarem, será solicitada audiência ao ministro das Infraestruturas”.

Para o autarca de Sátão, esta é uma ligação fundamental do distrito de Viseu, a segunda mais importante, logo a seguir ao IP3, que liga Viseu a Coimbra.

“A EN 229 é uma estrada muito movimentada, com cerca de 9 mil viaturas ao dia e só quem faz diariamente aquela estrada sabe o tempo que se demora a chegar a Viseu. São apenas 15 quilómetros, mas que, com trânsito, demora-se entre meia hora a 40 minutos a fazer”, lamenta.

Neste trajeto, os condutores “apenas têm oportunidade de poder ultrapassar em dois ou três pontos”.

“E, em alguns desses pontos, têm a limitação de velocidade de 50 quilómetros por hora. Logo, as ultrapassagens nos limites da lei serão difíceis, o que provoca filas enormes”, acrescenta.

Estes condicionamentos da EN 229 acabam por “mexer com diversos setores, nomeadamente com o da saúde, especialmente em casos urgentes”.

“Já nem se fala em termos empresariais, pois se a ligação a Viseu for melhorada, a nossa nova zona industrial, que está pronta, poderá acolher outras empresas, o que não se faz porque não encontram uma boa via para chegar cá…”, sustenta.

Alexandre Vaz entende que os tempos são de contenção, concordando, portanto, com a opção da requalificação da EN 229, que deverá ter um custo aproximado de 11 milhões de euros.

“Se fosse construída a nova variante, seriam necessários mais 20 milhões de euros. Penso que não é uma obra assim tão cara, comparada com a proposta de construção de uma nova via, e é perfeitamente normal que não se queira investir numa opção mais cara”, sublinha.

Para o autarca, “o importante seria cumprir as promessas que são feitas” e que “criam expectativas nas populações”.

“A promessa que tinha era de que esta requalificação da estrada seria lançada no final deste ano, início de 2017, mas depois houve a mudança de Governo. Apesar da mudança de Governo, julgo que as obras previstas deveriam continuam na agenda dos que entram, pois esta não se trata de uma obra política, mas de uma obra que é extremamente necessária”, aponta.

O antigo secretário de Estado da Administração Local do Governo liderado por José Sócrates e ex-deputado socialista eleito por Viseu, José Junqueiro, recorda, por sua vez, que a via que hoje existe, entre Sátão e Viseu, é distinta do objetivo principal, que previa que o trânsito circulasse com fluidez e segurança.

“Na altura do Governo PS [com José Sócrates como primeiro-ministro], previa-se a construção de uma variante nova e, enquanto sim e não, foi retificada a que existia. No meu entender, mal, pois entendia que devia ser feita uma coisa de raiz, embora aquele alargamento tenha sido melhor do que nada. Mas não resultou e devia-se ter avançado para nova via”, frisou.

Com a queda do Governo PS e a entrada do Governo do PSD/CDS-PP, entre 2011 e 2015, “nada foi decidido, a não ser numa reta final, a alguns meses de eleições”.

“Perdemos tempo nesses quatro anos, em que não se executou nada do que estava previsto, ficando apenas um compromisso de última hora. Mas, agora também não existe nenhuma verba explícita para fazer essa ligação, o que significa que se mantêm as dificuldades de ligação entre os dois concelhos”, considera.

José Junqueiro aponta, ainda, o dedo aos deputados da sua cor partidária, que “parece que estão de baixa”, uma vez que não fazem intervenções na Assembleia da República e não elegem nada como bandeira.

“Não há uma posição sobre esta matéria, assim como não há sobre a ligação Viseu-Coimbra ou sobre a via-férrea ou coisíssima nenhuma! O PSD continua a falar nestas coisas, tal como o Almeida Henriques [presidente da Câmara de Viseu]e bem, mas a verdade é que enquanto o puderam fazer, também não o fizeram”, referiu.

Já o presidente da Associação Empresarial da Região de Viseu (AIRV), Carlos Marta, entende que esta reivindicação antiga, de autarcas e populações, “é uma reivindicação justa”, visto que “a atual EN 229 tem diversas lacunas”.

“Seja através de uma nova variante ou de ampliação da existente, julgo que é fundamental que se avance com uma solução. Hoje demora-se imenso tempo para fazer essa via de poucos quilómetros, é um trajeto muito penoso, pois os empresários procuram que os seus produtos possam chegar o mais rapidamente aos seus destinos e locais onde há consumo: esta via é claramente limitativa”, concluiu.

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