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Siderurgia, a transformação de uma empresa que marca a história do Seixal

Apesar de ter mais de 50 anos de história, a Siderurgia Nacional (SN) no Seixal mudou muito nas últimas décadas, mas continua a ser importante para o concelho, sendo uma das dez maiores empresas exportadoras do país, com mais de 700 trabalhadores.

“A Siderurgia marcou o nosso país, a região e o concelho. Surgiu há mais de 50 anos no Seixal, nos anos 60, e foi uma unidade fabril que significou um passo muito importante para a produção nacional ao nível do aço. No concelho criou 6 mil postos de trabalho na altura, entre diretos e indiretos, e isso trouxe muita gente para viver no concelho”, recorda à agência Lusa Joaquim Santos, presidente da Câmara do Seixal.

O autarca lembra que a privatização da empresa originou uma “sangria evidente”, com a perda de postos de trabalho e a divisão da empresa em duas, a SN Longos e SN Planos.

“Hoje temos a SN Seixal, que pertence a um grupo espanhol e modernizou-se. Já não tem o nível de empregabilidade da altura, as novas tecnologias exigem menos mão-de-obra e mais qualificada, mas tem um alto-forno elétrico que polui muito menos”, refere.

A SN, que pertence ao grupo espanhol Megasa, é uma das dez maiores exportadoras, tem cerca de 720 trabalhadores diretos e cerca de 2.000 indiretos, nas suas unidades no Seixal e na Maia.

“Esta fábrica no Seixal tem uma produção elevada. Só esta fábrica satisfaz as necessidades de toda a Península Ibérica e tem tentado diversificar. Hoje exporta para muitos locais do mundo”, frisa.

Álvaro Alvarez, administrador do grupo espanhol que detém a totalidade da Siderurgia Nacional, afirma que fabricam em Portugal mais de dois milhões de toneladas por ano e que isso implica reciclar mais de 2,3 milhões de toneladas de sucata nas fábricas do Seixal e na Maia.

“Temos um Plano de Investimentos de cerca de 60 milhões de euros que correspondem a novas fábricas de oxigénio na Maia e no Seixal, uma reforma importante na aciaria no Seixal e uma duplicação de uma das linhas de produção na fábrica do Seixal”, explica.

O responsável adianta que grande parte da produção da Siderurgia Nacional no Seixal e na Maia se destina à exportação, tendo como principais mercados o Reino Unido, o mercado ocidental europeu e do norte de África.

“Apesar do histórico negativo, existe uma nova esperança. Esperemos que esta administração consiga modernizar a fábrica e, também, aumentar os produtos, para que seja uma fábrica competitiva e de ponta. A pilha de escórias vai ser movimentada para outro local, que já tem licença do Ministério do Ambiente e da Câmara”, diz Joaquim Santos.

O autarca salienta, ainda, a necessidade de serem resolvidos os passivos ambientais existentes, explicando que quando se deu a privatização da empresa, o Estado português ficou com os passivos.

“Só no Seixal, em terra, estima-se que os investimentos sejam de 50 milhões de euros e, entre o que foi feito e o que está acertado, temos 20 milhões de euros, o que significa que faltam 30 milhões. Isto, sem contar com o que é preciso para descontaminar no rio Coina, que se estima mais 40 milhões euros, e na Lagoa da Palmeira”, explica.

Joaquim Santos defende a necessidade de aproveitar os fundos europeus para este processo, considerando que é uma “oportunidade histórica”, que tem de ser aproveitada.

“Temos áreas do Arco Ribeirinho Sul no Seixal que podem ser utilizadas para novos investimentos. Na área sul, já descontaminada, temos muitos interessados e negócios já propostos. Daqui a um ano teremos uma grande empresa, com algumas centenas de postos de trabalho, e esse vai ser o maior exemplo prático do trabalho que temos feito e do que é necessário fazer nas restantes zonas”, conclui o presidente da Câmara.

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