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Sismo de 1998 mudou a ilha do Faial para sempre

Quase 20 anos depois, o grande sismo que abalou o Faial, nos Açores, e destruiu mais de 70% do parque habitacional da ilha, continua presente no dia-a-dia da população, cuja vida mudou “para sempre”.

Na madrugada de 09 de julho de 1998, um terramoto com uma magnitude de 5,9 na escala de Richter deitou por terra muitas moradias no concelho da Horta, o único do Faial, onde prevaleciam as casas tradicionalmente construídas em pedra e barro.

Além da destruição de grande parte do parque habitacional do Faial e das oito mortes que causou, o sismo danificou, ainda, cerca 20% das casas da vizinha ilha do Pico.

O presidente do município da Horta, José Leonardo Silva, lembra agência Lusa as preocupações que, então, pairavam sobre as autoridades locais, não apenas por causa dos estragos que o abalo de terra provocou, mas também pelos impactos sociais que poderia gerar.

“Na altura, houve uma grande preocupação sobre o que é que podia acontecer, em termos sociais”, conta José Leonardo, acrescentando que havia o receio de que o Faial pudesse passar por um período de “decadência social”, devido às “reduzidas condições de habitabilidade”.

Hoje, o autarca realça, com orgulho, que “os faialenses conseguiram superar todas essas dificuldades”, notando que, apesar dos danos e prejuízos causados, o sismo permitiu melhorar a vida de muitas pessoas.

“Tentou-se que, em muitos casos, as habitações correspondessem ao agregado familiar (antes chegavam a morar três e quatro pessoas no mesmo quarto), por isso, em termos habitacionais, nós melhorámos muito”, destaca José Leonardo.

O processo de reconstrução da ilha foi liderado pelo Governo Regional dos Açores, que investiu mais de 255 milhões de euros na construção, reabilitação e recuperação de habitações, abrangendo mais de três mil famílias.

Cerca de 72% daquela verba foi suportada exclusivamente pelo Orçamento Regional e o restante por verbas decorrentes da “solidariedade nacional”.

Segundo o diretor regional da Habitação, Carlos Faias, a reconstrução “foi um dos maiores empreendimentos que os governos socialistas dos Açores já enfrentaram, aliado a outras situações calamitosas” ocorridas neste período.

Para acudir a todos os casos, o executivo açoriano instalou 670 estruturas pré-fabricadas, lançando posteriormente as empreitadas para as obras.

“Todas as intervenções realizadas tiveram como principais preocupações dotar os edifícios habitacionais de resistência antissísmica, reduzindo a sua vulnerabilidade à sismicidade, adequá-los à composição do agregado familiar e conferir-lhe as condições mínimas de salubridade”, adianta o diretor regional.

O parlamento dos Açores aprovou, na ocasião, legislação própria para enquadrar os apoios aos sinistrados e que contemplava, por exemplo, a cedência de lotes para a construção de moradias, sempre que, por razões ambientais ou de segurança, não fosse permitido reconstruir ou reabilitar as habitações no seu local de origem.

Apesar dos esforços desenvolvidos pelo executivo regional, ainda há sinistrados que não têm o seu problema resolvido.

“Face à dimensão do fenómeno, pode considerar-se um processo encerrado, restando concluir um número residual de cerca de três dezenas de situações, todas na ilha do Faial, que na sua maioria estão relacionadas com procedimentos que têm de ser desencadeados pelos particulares”, explica Carlos Faiais.

O processo de reconstrução acabou por provocar uma significativa alteração arquitetónica na ilha do Faial, sobretudo nas freguesias rurais, onde as pequenas moradias de pedra e barro acabaram por dar lugar a novas casas, construídas com blocos, ferro e cimento.

Volvidas quase duas décadas, ainda existem marcas da destruição provocada pelo sismo de 1998 no Faial, sobretudo ao nível religioso, existindo templos que ainda não foram objeto de intervenção.

Para o presidente da Câmara Municipal da Horta, “foi uma boa solução deixar as igrejas para o fim, porque primeiro estavam as pessoas”.

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