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Tavira está na origem da “ascensão e queda” de Macário Correia

Esteve 30 anos consecutivos em cargos públicos, mas queixas contra si, por suspeitas de licenciamentos ilegais enquanto presidia à Câmara de Tavira, ditaram o princípio do fim da carreira política de Macário Correia.

Depois de ter sido condenado à perda de mandato em 2012, quando era presidente da Câmara de Faro, o ex-autarca foi em junho novamente condenado, mas a uma pena suspensa de quatro anos e meio de prisão, por quatro crimes de prevaricação de titular de cargo político.

Contrariando o parecer dos técnicos da Câmara de Tavira, Macário Correia aprovou, entre 2007 e 2008, projetos de arquitetura para a construção de três moradias e duas piscinas em zonas rurais do concelho, violando o regime de Reserva Ecológica Nacional (REN).

Não exerce cargos políticos há dois anos e conta à Lusa que é frequentemente interpelado, em Tavira, onde esteve 12 anos, e em Faro (onde esteve entre 2009 e 2013), sobre quando volta a recandidatar-se, mas o ex-autarca é categórico: não tenciona voltar à vida política ativa.

“Senti alguma revolta pela maneira como fui perseguido, por situações perfeitamente injustas”, confessa, sublinhando não se arrepender das decisões que tomou e que originaram os processos judiciais que o condenaram à perda de mandato e à pena suspensa de quatro anos e meio.

A social-democrata Elsa Cordeiro, que foi vice-presidente do executivo liderado por Macário Correia, em Tavira, entre 2008 e 2009, considera que o ex-autarca “sofreu na pele” o facto de ter uma personalidade forte e “muito dinâmica”, mas garante que o ex-autarca “ouvia as opiniões dos outros” antes de tomar decisões.

“A sua forma de ser criou um confronto com determinados poderes, que se viraram contra ele”, resume a ex-deputada, defendendo, no entanto, que “um bom líder tem que ter o centro de decisão nele próprio”, o que acontecia com Macário Correia, não só por força do seu caráter, mas também pela sua “vasta experiência”.

Terão sido esses traços de caráter que traíram a continuidade do seu percurso político, acredita Fialho Anastácio – governador civil de Faro na altura em que Macário foi eleito em Tavira -, que recorda a sua personalidade “difícil” e relutância em aceitar opiniões contrárias.

“Julgava-se um senhor todo-poderoso e que sabia de tudo, os outros eram figuras menores e nem a oposição tinha direito a ter palavra”, observa o socialista, que presidiu também à Câmara de Tavira, entre 1980 e 1991, e que foi derrotado por Macário Correia nas autárquicas, em 2005, quando aquele concorria para um terceiro mandato.

Fialho Anastácio recorda como o também ex-presidente da Associação de Municípios do Algarve (AMAL) se opunha aos governos civis, porque tutelavam as autarquias, algo com que não concordava, também por cultivar uma certa “vaidade”, ao querer ser um político de destaque no panorama nacional.

Macário Correia manteve-se em Faro até ao final do mandato, em outubro de 2013, pois apesar de o Supremo Tribunal Administrativo (STA) o ter condenado em 2012 à perda do mandato, a decisão final do processo só aconteceu quando já tinha saído daquela Câmara.

Atualmente, o seu tempo é ocupado na presidência da Fundação Irene Rolo, em Tavira, como voluntário, com a prestação de serviços de consultoria na área do ambiente e da engenharia e ainda com a administração do património rural que herdou da família.

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