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Terminal XXI do porto de Sines cresce, cria emprego e impulsiona economia

Com cerca de 700 trabalhadores, o terminal de contentores do porto de Sines, em atividade desde 2004, é hoje um dos maiores empregadores do concelho e um dos principais contribuintes para o desenvolvimento económico.

Sines é conhecido pelo grande complexo industrial que começou a ser criado nos anos 70 do século XX, albergando algumas das maiores indústrias do país, como refinaria ou central termoelétrica, e que incluiu a construção do porto de águas profundas, que hoje ocupa o terceiro lugar na Península Ibérica e está entre os 20 maiores da Europa.

Apelidado muitas vezes, no passado, de “elefante branco”, o projeto de Sines, no distrito de Setúbal, tem, no entanto, conseguido reforçar investimento nos últimos anos, como a reconversão da refinaria da Galp para produção de gasóleo, mas também o gradual crescimento do porto, que passou a ter cinco terminais especializados para movimentar diferentes tipos de cargas.

Um dos terminais, o de contentores, também designado como Terminal XXI, iniciou a atividade há 12 anos, sendo o que maior taxa de crescimento tem registado e, também, o que maior área territorial e maior número de trabalhadores envolve.

“Em termos de economia local e para a região, este terminal foi o investimento mais relevante dos últimos anos e contribuiu também para uma maior projeção do porto de Sines a nível internacional”, reconhece à agência Lusa o presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas.

A criação de emprego, direto e indireto, e o “impulso da economia local” têm sido contribuições importantes deste terminal, frisa o autarca, destacando a criação, fixação e incremento no concelho de empresas de “transporte e manutenção de contentores” e de “serviços associados a esta atividade”.

Há empresas que já existiam e viram crescer a sua atividade no concelho, exemplifica Nuno Mascarenhas, que também fez parte do Grupo de Missão para o Planeamento das Obras de Expansão do Porto de Sines, responsável pela coordenação de intervenções que incluíram o terminal de contentores.

A par de pequenas e médias empresas “que gravitam em torno do terminal de contentores”, o autarca avança também a possibilidade de “a MSC, um dos maiores armadores do mundo”, instalar a sede da filial portuguesa em Sines, no litoral alentejano.

Ao investimento de 115 milhões de euros que a Administração do Porto de Sines (APS) fez ao todo no terminal de contentores, somam-se os cerca de 230 milhões de euros que a concessionária, PSA Sines, filial da Port Singapore Authority, investiu em diversas fases de construção desde 1999.

E o investimento não vai ficar por aqui, com uma nova ampliação do terminal prestes a ficar concluída, admite à Lusa a PSA Sines, adiantando estarem “mais investimentos em fase de estudo”.

“Com o aumento sustentado de volume de carga e de forma a estarmos preparados para um eventual incremento das necessidades operacionais dos nossos clientes, estamos perto de concluir a denominada ‘Fase 2+’, que permite ao terminal uma capacidade de movimentação de carga de 2,3 milhões de TEU [medida padrão equivalente a contentores com 20 pés de cumprimento]”, revela a PSA.

A aposta no desenvolvimento da infraestrutura portuária de carga contentorizada em Sines, que, em 2004, começou com um cais de 380 metros de comprimento e 50 colaboradores e vai atingir este ano 1.140 metros, com cerca de 700 trabalhadores, tem permitido criar condições para receber cada vez mais e maiores navios, bem como para movimentar mais contentores.

Se, em 2004, a média mensal de navios de contentores a fazer escala em Sines era de seis, em 2016 ronda os 103, segundo dados disponibilizados pela empresa.

Observando que o Terminal XXI é, dos cinco terminais especializados do porto de Sines, “o que tem maior taxa de crescimento”, o presidente da administração portuária, João Franco, lembra que a movimentação de contentores “está a crescer a nível mundial na casa dos cinco por cento por ano”.

Apesar dos investimentos feitos e de uma nova ampliação prestes a ser estreada, o crescimento da movimentação de carga contentorizada em Sines deverá, no entanto, levar, segundo o responsável da APS, a que o Terminal XXI tenha a “capacidade esgotada” em cerca “de dois anos”.

“Depois tem de haver algo que signifique o aumento da capacidade de movimentação de contentores em Sines”, antecipa, deixando no ar a hipótese de uma nova ampliação ou da construção de um novo terminal.

Esta questão preocupa também o autarca de Sines, advertindo que “as decisões têm de ser tomadas com antecedência”.

“A decisão de ampliação do terminal já deveria ter sido tomada pelo anterior Governo há dois ou três anos”, defende, lamentando também que, da “visão inicialmente traçada” para a infraestrutura portuária, o único aspeto que não esteja a ser atingido seja o da construção da ferrovia, que encurtaria o tempo de ligação entre Sines e Espanha.

Indicando que “85 por cento da carga que passa por Sines é de transhipment, ou seja, é distribuída por outros navios, e só 15 por cento é destinada ao continente e que isso se deve a não haver uma ligação ferroviária a Espanha”, Nuno Mascarenhas considera que o investimento na ferrovia seria “a única forma de fixar em Sines os grandes operadores portuários”.

Além do de contentores, o porto de Sines conta com um terminal de granéis líquidos desde 1978, um terminal petroquímico desde 1981, um terminal de granéis sólidos desde 1992 e um de gás natural liquefeito, desde 2003.

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