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Turismo subaquático é um filão que a Graciosa começa a explorar

A última década assistiu ao ganhar de expressão do turismo subaquático no município de Santa Cruz, o único da Graciosa, nos Açores, sendo atualmente uma fatia importante da atividade turística da ilha, onde ainda há muito potencial por explorar.

“Não temos muitos operadores de mergulho na ilha, mas há uma procura enorme”, afirma José Ávila, da Associação Graciosense de Promoção de Eventos (AGRAPROME), que organiza, desde 2004, eventos relacionados com o turismo subaquático na Graciosa.

Em 2014, Santa Cruz da Graciosa acolheu o primeiro campeonato europeu de fotografia subaquática, em que participaram cerca de duas centenas de pessoas de 18 países.

A AGRAPROME tem organizado, no entanto, outras iniciativas que têm dado projeção nacional e internacional ao mergulho na Graciosa, como campeonatos nacionais e internacionais de fotografia subaquática, ou a bienal de turismo subaquático, que ocorre de dois em dois anos, desde 2007.

Para José Ávila, a atividade tem potencial para crescer na Graciosa, sobretudo se houver uma aposta no mercado norte-americano, que está a quatro horas dos Açores.

Atualmente, são sobretudo os portugueses que procuram o mergulho na ilha Graciosa, mas com a divulgação que tem sido feita em feiras internacionais o destino é cada vez mais conhecido no estrangeiro.

“A maior parte dos turistas são portugueses, mas cada vez mais aparecem turistas de outras nacionalidades, especialmente espanhóis e franceses”, revela Rolando Oliveira, operador de mergulho na Graciosa.

Na opinião deste empresário, para que o turismo subaquático cresça na Graciosa, a ilha necessita de ligações aéreas melhores e mais baratas.

Se, para a ilha de São Miguel, o preço das passagens desceu, com a entrada das companhias aéreas de baixo custo, para chegar à Graciosa é preciso muitas vezes pernoitar noutra ilha, há poucos lugares disponíveis nas ligações e o preço ainda não é muito apetecível.

“No ano passado, vir à Graciosa [a partir do continente]custava 600 euros”, revela o operador de mergulho, salientando, contudo, que este ano tem “expectativas” de que as ligações sejam melhores e mais acessíveis.

Rolando Oliveira começou a passar férias na Graciosa com amigos, precisamente por causa do mergulho, e há 12 anos que vive na ilha.

Então, o potencial do mergulho na Graciosa era menos conhecido em Portugal e no estrangeiro, mas havia mais vida subaquática.

Segundo o operador de mergulho, os Açores criaram parques marinhos, mas a legislação é “dúbia”, por isso defende a necessidade de a pesca ser proibida em determinados locais, caso contrário, “quando, alguma coisa for feita, já será muito tarde”, alerta.

Ainda assim, segundo Rolando Oliveira, a Graciosa tem características que a fazem competir com outros destinos de mergulho, como a “boa temperatura” e a “visibilidade” da água.

A ilha tem vários ilhéus e montes submarinos afastados da costa, onde ainda é possível encontrar várias espécies marinhas, além de três navios naufragados: o Terceirense, o Corvo e o Mazzini.

Para o operador de mergulho, o turismo é uma “área importante para o desenvolvimento dos Açores” e na Graciosa o turismo subaquático representa “uma grande fatia” do turismo da ilha.

Pela ilha devem passar todos os anos entre 300 a 400 mergulhadores, mas são turistas que têm elevado poder de compra, permanecem em média sete noites e são acompanhados pela família.

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