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Unidade de Tarouca mudou paradigma da baga do sabugueiro

Tradicionalmente exportada seca, a baga do sabugueiro da região do Varosa passou nos últimos anos por uma mudança de paradigma, devido à abertura de uma unidade situada no concelho de Tarouca que permite refrigerá-la e congelá-la.

A cor violeta e o elevado grau de açúcar da baga de sabugueiro da região do Varosa levam a que seja exportada há décadas para um grupo do setor agroalimentar da Alemanha, percorrendo quase três mil quilómetros, apesar de bem mais próximos estarem grandes produtores como Polónia, Hungria, Bulgária e Kosovo.

Usada sobretudo como corante, a baga produzida nos concelhos de Tarouca, Armamar, Tabuaço, Lamego e Moimenta da Beira (todos no distrito de Viseu) era exportada seca, mas tudo mudou com a abertura da nova unidade da Régiefrutas, no verão de 2009.

“A baga seca já não tem mercado em lugar nenhum. Como os agricultores são sócios da infraestrutura, ficamos com alguma baga seca que eles entregam, mas não conseguimos vendê-la”, conta à agência Lusa Valdemar Pereira, presidente da Câmara de Tarouca e do conselho de administração da Régiefrutas.

O autarca explica que atualmente “qualquer tipo de baga usada em produtos alimentares tem exigências técnicas muito grandes” e que se a infraestrutura – que custou 3,9 milhões de euros – não tivesse sido construída atempadamente “hoje a baga teria os dias contados”.

“Para a região foi muito bom. Somos uma região essencialmente agrícola e os agricultores precisam de ver os seus produtos escoados”, frisa, acrescentando que há mais de 600 produtores de baga do sabugueiro na região.

Durante mais de três décadas, a baga do sabugueiro da região do Varosa foi apenas exportada para o cliente da Alemanha, que ainda hoje se mantém. No entanto, nos últimos anos também tem sido vendida em Portugal e para a Holanda e a Áustria.

“Exportamos cerca de 90% da produção. Só ainda não exportamos também para França e Dinamarca porque não temos produto suficiente para satisfazer as encomendas”, justifica Valdemar Pereira.

O “aumento da área plantada e também da confiança depositada na infraestrutura” levou a que, de 2014 para 2015, se tivesse registado um aumento de produção de 600 toneladas para 1,3 milhões de quilogramas.

“Precisávamos, pelo menos, de três milhões”, frisa o responsável da Régiefrutas, mostrando-se convicto de que futuramente esse número será alcançado e poderão exportar para mais países.

A Régiefrutas integra as câmaras de Lamego, Tarouca, Armamar, Tabuaço e Moimenta da Beira e a Organização de Produtores Agrícolas do Varosa.

O produtor Paulo Gouveia, de 63 anos, admite à agência Lusa que, com a unidade que possibilita a refrigeração da baga do sabugueiro, “os agricultores não têm tanto trabalho como quando tinham de a secar, mas o preço também não é tão compensatório”.

“Quando pensaram em criar a Régiefrutas, as expectativas eram mais altas do que os preços que estão hoje. Chegaram a pôr a fasquia em um euro (por quilograma), mas nos últimos anos têm-nos pago 40 cêntimos”, lamenta.

O agricultor, que já produz baga há mais de 30 anos, diz que “sempre houve este problema de altos e baixos no preço, mas não se alongava assim por tantos anos como agora”.

Valdemar Pereira considera que a unidade foi “uma excelente aposta, embora reconheça que o investimento foi bastante avultado e que é difícil, em termos de tesouraria, manter-se só com a baga”.

Para rentabilizar a unidade, além da refrigeração da baga de sabugueiro – que entra durante o mês de agosto – foi criada “uma linha de fruta fatiada”, nomeadamente maçã e kiwi.

“Atendendo ao volume de gastos, tem de se rentabilizar. Só com a baga não tem pernas para andar”, frisa, acrescentando que “outros produtos provavelmente virão a seguir”.

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