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Universidade contribui há 30 anos para desenvolver a Covilhã e a região

Ao longo de 30 anos, a Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, tem contribuído para a formação académica de milhares de alunos, bem como para o desenvolvimento da cidade e da região.

Criada em 1986, no seguimento da conversão do Instituto Universitário da Beira Interior (anteriormente Instituto Politécnico da Covilhã), a UBI assumiu desde a primeira hora uma forte ligação à cidade, visível, entre outros aspetos, no facto de ter sido instalada em antigas fábricas têxteis.

Uma opção que se transformou numa das “marcas distintivas” da UBI e que, na altura, tendo em conta a realidade da cidade e as marcas já deixadas pela crise dos têxteis, se afigurou como “bastante óbvia”, conforme classifica em declarações à agência Lusa o primeiro reitor da UBI.

Passos Morgado, que se manteve no cargo até 1996, recorda que adaptar as antigas fábricas às novas funções acabaria por ficar mais caro do que a própria aquisição dos edifícios, mas, ressalva, ainda assim, no seu conjunto, a solução acabou por ser mais barata do que construir um ‘campus’ de raiz.

Ao fator económico junta-se ainda a vantagem clara de ter contribuído para ajudar a preservar a história, ao mesmo tempo que se dava um novo rosto e uma imagem mais cuidada ao património arquitetónico da cidade.

De lá para cá, a UBI foi conseguido ultrapassar as dificuldades (como por exemplo a da interioridade) e registou sempre uma trajetória de crescimento.

Atualmente, integra cinco faculdades, tem mais de 6.700 alunos e dá emprego a tempo inteiro a cerca de 700 pessoas. Afirma-se como uma das principais empregadoras da cidade, pagando anualmente mais de 22 milhões de euros em salários, valor que não inclui as obrigações de Segurança Social.

O impacto na cidade e na região é ainda visível em outros domínios, como a produção de conhecimento ou a atracão de fixação de pessoas e empresas.

No ano em que comemora 30 anos, a UBI apresenta-se como uma “universidade robusta, forte e coesa”, define o atual reitor, António Fidalgo.

“A UBI distingue-se, desde logo, pela procura que tem de estudantes. Depois, é uma universidade que tem consolidado quer as suas infraestruturas, quer o seu corpo docente, que tem uma produção científica notável e que tem tido bons resultados em termos de estratégia internacional, pelo que podemos afirmar que é uma instituição que não tem dificuldade em afirmar-se e em cumprir a sua missão de bem ensinar e bem investigar”, afirma.

Este responsável também não esquece que as “universidades são por natureza elos de ligação das regiões em que se inserem ao mundo global”, missão que, considera, a UBI também tem cumprindo.

Um “papel primordial” que é amplamente reconhecido na cidade, cujo dinamismo social, cultural e económico muito deve a esta instituição.

“Se não fosse a UBI, isto [Covilhã] não passava de uma aldeia em ponto grande. As mais-valias são claras. Basta vermos como os alunos contribuem para gerar comércio em várias áreas”, refere João Corono, que está ligado à restauração e hotelaria há mais de 50 anos e que é atualmente proprietário do “ArtBarô”, um dos bares da cidade muito frequentado por estudantes.

O setor imobiliário é outro dos que mais beneficia com a presença dos alunos, que contribuem para que a “procura exceda a oferta” no que concerne ao arrendamento, diz à Lusa Sónia Nunes, coordenadora comercial da agência imobiliária “Habitar Covilhã”.

A UBI “mudou completamente a face do que é a cidade, o concelho e toda a região”, aponta, por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Vítor Pereira, destacando que a autarquia está sempre disponível para “intensificar a cooperação e o trabalho conjunto” com esta instituição, “que é sinónimo de prestígio dentro e fora de portas”.

“Ela traz-nos conhecimento. Traz-nos uma lufada de ar fresco, sendo que toda a comunidade académica contribui decisivamente para injetar dinheiro na nossa economia local, bem como para a mudança do ambiente social e cultural de toda a região, porque, temos de sublinhá-lo, a UBI não tem uma escala meramente local, tendo já uma dimensão nacional e internacional e, por isso mesmo, tem de ser preservada, no mínimo, por mais 30 anos”, conclui.

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