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Valpaços abre portas à agricultura, a bandeira do concelho

Valpaços está a abrir “as janelas e as portas” à agricultura, um setor que rende 100 milhões de euros por ano, cria emprego e está a ganhar reconhecimento internacional através dos prémios conquistados pelos azeites e vinhos.

É um concelho rural e onde praticamente todas as famílias estão ligadas ao setor primário, seja como atividade principal, rendimento complementar ou subsistência.

Nas últimas décadas, o município tem incentivado a agricultura, mas desde que assumiu a presidência da Câmara em 2013, Amílcar Almeida elegeu mesmo os produtos da terra como a “bandeira do concelho”.

“Nós, autarcas do Interior, temos de nos virar para aquilo em que somos bons e para o que temos de melhor. E aqui não temos outra coisa que não seja o setor primário”, afirma o autarca à agência Lusa.

Amílcar Almeida garante que o concelho tem um vasto “cabaz de produtos para oferecer” e refere que são muitos os novos projetos concretizados no concelho, de jovens que criam o próprio emprego e dão também emprego.

Tibério, Válter e Gilmar Calado são três irmãos que trabalham juntos na agricultura. Vivem em Valverde e dedicam-se ao olival, vinha e à fruta da época, desde cerejas a figos.

“Temos que estar nisto por paixão. Estamos 365 dias por ano dependentes do São Pedro, das condições do tempo. Não temos horários e, quando há fruta para apanhar, nem domingos ou feriados”, afirma Tibério Calado à agência Lusa.

Os irmãos dividem o trabalho e contratam mão-de-obra para a apanha da fruta ou na vindima. “Dividimos o trabalho e o lucro. Este ano apenas o trabalho e as despesas”, frisa o empresário, lembrando as condições meteorológicas adversas que se fizeram sentir na primavera de 2016 e que afetaram diversas culturas.

O setor agrícola rende 100 milhões de euros por ano em Valpaços, com destaque para os três principais produtos: castanha, azeite e vinho. A castanha é a produção mais rentável e vale cerca de 50 milhões de euros anuais.

A contribuir para a divulgação de Valpaços estão as distinções conquistadas nos últimos anos pelos vinhos e azeites.

Só a Cooperativa de Olivicultores recebeu 120 prémios desde 1992, entre medalhas de ouro, prata, bronze e menções honrosas.

A construção de novas instalações, inauguradas em 2000, deu o impulso para a aposta na qualidade do azeite, que está também a levar o nome do concelho a países como os Estados Unidos da América, Itália, Brasil, Japão, Israel ou Argentina.

Paulo Ribeiro, presidente da cooperativa, sublinha que estas distinções se têm traduzido numa maior divulgação e procura deste produto que está a ajudar a fixar “jovens e mais velhos” no concelho.

O responsável diz ainda que a internacionalização é cada vez mais uma prioridade e que a estratégia passa por entrar nos países nórdicos, “onde há mais dinheiro e está a aumentar o consumo de azeite”.

Segundo Paulo Ribeiro, 30% da produção da cooperativa destina-se à exportação.

A organização tem atualmente 2.200 associados, com explorações com cerca de 820.000 oliveiras. A produção média anual de azeitona é de 11.000.000 de quilogramas, dos quais se extraem cerca de 1.750.000 litros de azeite virgem extra.

Para abrir “as portas e janelas” aos produtos locais, o município paga as participações em feiras, em Portugal ou em países como o Reino Unido, Bélgica ou China e quer abrir, durante o ano de 2016, lojas no Porto, Lisboa e França ou Suíça para venda da castanha, vinho, azeite, folar e fumeiro.

“Decidimos explorar o ‘mercado da saudade’. Temos uma franja populacional, em termos de emigração, muito grande, quer em Paris quer em Genebra”, salienta Amílcar Almeida.

Os parceiros no projeto são a Cooperativa dos Olivicultores, a Adega Cooperativa, a Cooperativa Agrícola e a Associação Regional da Agricultura das Terras de Montenegro.

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