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Vila Flor, o concelho que pôs Portugal a comer “champignons”

Os cogumelos conquistaram a culinária portuguesa, mas poucos saberão que a maioria dos que consomem é produzida numa aldeia transmontana, Benlhevai, a partir de onde, há quase 30 anos, dois jovens irmãos puseram Portugal a comer “champignons”.

Artur e Eurico Varandas de Sousa tinham pouco mais de 20 anos quando, em 1989, decidiram aplicar os conhecimentos que adquiriam nas viagens que faziam pelo estrangeiro num novo negócio em Portugal: a produção intensiva de cogumelos em ambiente controlado por computador.

Os irmãos separaram-se depois de criarem a fábrica Sousacamp, num local ermo onde a eletricidade foi instalada quando a empresa começou a laborar, na pequena aldeia do concelho de Vila Flor, distrito de Bragança. O cérebro do projeto, Artur de Sousa, ficou com o empreendimento e transformou a empresa no maior grupo ibérico e um dos maiores da Europa de produção de cogumelos.

O grupo controla 90% do mercado português de cogumelos e é líder na Península Ibérica com unidades em Paredes, Vila Real e Espanha, mas nasceu e mantém a sede e a principal fábrica na aldeia transmontana.

Nos últimos anos, foram anunciados investimentos superiores a 80 milhões de euros nas fábricas portuguesas.

Numa reportagem realizada há pouco mais de um ano, na empresa mãe, o diretor do departamento de produção, Amável Teixeira, concretizou que são produzidas semanalmente, nas diferentes fábricas, um total de 170 toneladas de cogumelos.

De Benlhevai saem para todas as unidades, por semana, 400 toneladas do composto conhecido nesta zona transmontana pelo característico (mau) cheiro, no qual crescem os cogumelos.

Mais de metade da produção, “60 a 70%”, é exportada para Espanha, França e Holanda, segundo dados do grupo que conquistou “90% do mercado português de cogumelo fresco e enlatado”.

A Sousacamp emprega direta e indiretamente “700 pessoas, 170 na empresa-mãe” e é nesta unidade que tem a maior dificuldade em recrutar trabalhadores e onde a mão-de-obra é uma necessidade constante.

No concelho com 6.500 habitantes, os negócios crescem com os cogumelos e o outro membro da família, o irmão Eurico de Sousa, criou há 20 anos uma empresa à parte, a Micellium, que produz cogumelos em fresco e produtos transformados.

Com uma marca própria para os novos produtos – Alfunghi – o empresário colocou no mercado a alheira de cogumelos, que é produto patenteado, os cogumelos de azeite de ervas finas e pudim de cogumelos.

A organização da empresa assenta num modelo de franchisado e Eurico de Sousa ambiciona instalar lojas em zonas estratégicas da região e do país.

Com 40 postos de trabalho, comercializa 15 toneladas por semana em fresco e fatura cerca de dois milhões de euros por ano.

Outros projetos de menores dimensão foram surgindo no concelho inspirados pelos Sousa, que se aventuraram num negócio, numa época em que o cogumelo não cativava o paladar dos portugueses.

Para o presidente da Câmara de Vila Flor, o conhecimento existente sobre este setor “pode criar riqueza” no concelho.

Fernando Barros defende mesmo a criação de um centro de investigação do cogumelo em torno deste núcleo de Benlhevai.

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